A 28 de março de 1936, nasce Mario Vargas Llosa, em Arequipa, no Peru. Este ano, celebramos a data pela primeira vez sem o escritor entre nós, depois da sua morte em abril de 2025, aos 89 anos.
Nobel da Literatura em 2010, deixou uma obra vasta, politicamente corajosa e tecnicamente exigente, que atravessa décadas, continentes e regimes. A sua obra pode intimidar quem chega pela primeira vez e, por isso, reunimos cinco romances essenciais, cinco portas de entrada diferentes para este escritor extraordinário.
Santiago Zavala e Ambrosio sentam-se num bar chamado A Catedral e começam a falar. A conversa dura horas e atravessa décadas, reconstituindo o Peru corrupto e desesperançado da ditadura do general Odría, nos anos cinquenta. É o romance mais ambicioso e mais exigente desta lista, com uma estrutura em espiral que mistura tempos, vozes e histórias. A pergunta que abre o livro, e que nunca abandona o leitor, é esta: em que momento é que o Peru se perdeu?
Pantaleão Pantoja é um oficial exemplar, rigoroso, obediente, irrepreensível. O exército peruano confia-lhe a missão mais improvável da sua carreira: organizar, em absoluto sigilo militar, um serviço de prostitutas para as Forças Armadas isoladas na selva amazónica. O que começa como uma operação discreta transforma-se rapidamente no maior empreendimento do género no país, com Pantaleão cada vez mais enredado entre o dever, a família e uma visitadora irresistível. Baseado em factos verídicos, é um romance engenhoso e sarcástico que usa o humor para dizer coisas sérias sobre as instituições, o poder e a obediência cega.
Varguitas tem dezoito anos, ambições literárias, e apaixona-se pela tia Julia, divorciada e com o dobro da sua idade. Em paralelo, conhece Pedro Camacho, um escritor excêntrico de radionovelas que fascina toda a Lima dos anos cinquenta, até ao dia em que começa a confundir os enredos e as personagens das suas próprias histórias. É o romance mais leve e mais divertido de Vargas Llosa, autobiográfico sem ser confessional, com ironia e ternura em doses certas.
Urania Cabral regressa a Santo Domingo após décadas de ausência. À medida que visita o pai, somos transportados para 1961, quando a capital dominicana ainda se chamava Ciudad Trujillo e o ditador Rafael Trujillo, o Chibo, oprimia três milhões de pessoas com uma violência metódica e impune. Vargas Llosa constrói o retrato de uma tirania a partir de múltiplos ângulos, dando voz ao próprio ditador, aos conspiradores que preparam o seu assassinato e às vítimas que carregam o peso do que aconteceu. Um thriller político que se lê com o coração apertado, rigoroso na pesquisa histórica e implacável no julgamento moral e ideal para quem quer entender como uma ditadura funciona por dentro.
Neste romance histórico, Vargas Llosa reconstrói a vida de Roger Casement, cônsul britânico que passou duas décadas a denunciar as atrocidades do regime de Leopoldo II no Congo. Defensor dos direitos humanos e inspiração para o livro O Coração das Trevas de Joseph Conrad, Roger abraçou no fim da vida o nacionalismo irlandês e foi executado por traição. Vargas Llosa reconstrói esta jornada com a precisão de um historiador e a força de um romancista. Para quem gosta de ficção histórica e personagens que mudam de lado quando percebem que estavam do lado errado.