Marcel Proust
(10 de julho de 1871 - 18 de novembro de 1922), demonstrou, desde muito cedo, a sua inteligência e sensibilidade. Travou, toda a vida, batalhas contra a depressão e diversos problemas de saúde. Durante muito tempo, dormia durante o dia e escrevia freneticamente durante a noite, depositando toda a sua energia e alma no épico romance Em Busca do Tempo Perdido. Proust tornou-se, ao longo dos anos, num ícone da sinceridade artística.
No final do século XIX, as confissões estavam na moda em Inglaterra e pedia-se aos leitores que respondessem a uma série de perguntas pessoais. Em 1890, Proust, ainda adolescente, respondeu a um desses questionários com uma desarmante sinceridade. O manuscrito original foi descoberto em 1924, dois anos após a sua morte, e em 2003 foi leiloado por cerca de 130 mil dólares. Décadas depois, o apresentador de televisão francês Bernard Pivot começou a utilizar esse tipo de questionário para entrevistar pensadores, líderes e celebridades. James Lipton adaptou o questionário para o utilizar no seu programa, Inside the Actors Studio, atribuindo, erroneamente, a sua autoria a Proust. No entanto, a designação "Questionário de Proust" acabaria por se manter até aos dias de hoje. Partilhamos abaixo as respostas dadas pelo jovem Marcel Proust em 1890.

O principal aspecto da minha personalidade:
A necessidade de ser amado; mais precisamente, a necessidade de ser acariciado e mimado muito mais do que a necessidade de ser admirado.
A qualidade que desejo num homem:
Virtudes masculinas e sinceridade na amizade.
A qualidade que desejo numa mulher:
Encantos femininos.
A minha principal característica:
[Deixado em branco]
O que mais aprecio nos meus amigos:
Terem ternura por mim, se o seu caráter for requintado o suficiente para elevar bastante o valor da sua ternura.
O meu maior defeito:
Não saber, não ser capaz de "querer".
A minha ocupação favorita:
Amar.
O meu sonho de felicidade:
Tenho receio de que não seja suficientemente grande, não me atrevo a dizê-lo, tenho medo de o destruir ao dizê-lo.
Qual seria a minha maior desgraça?
Não ter conhecido a minha mãe ou a minha avó.
O que eu gostaria de ser:
Eu mesmo, como as pessoas que admiro gostariam que eu fosse.
O país onde gostaria de viver:
Um país onde certas coisas se tornassem realidade como que por magia, e onde a ternura fosse sempre recíproca.
A minha cor favorita:
A beleza não está nas cores, mas na sua harmonia.
O meu pássaro favorito:
A andorinha.
Os meus autores de prosa favoritos:
Atualmente, Anatole France e Pierre Loti.
Os meus poetas favoritos:
Baudelaire e Alfred de Vigny.
Os meus heróis na ficção:
Hamlet.
As minhas heroínas na ficção:
Bérénice.
Os meus compositores favoritos:
Beethoven, Wagner, Schumann.
Os meus pintores favoritos:
Leonardo da Vinci, Rembrandt.
Os meus heróis na vida real:
Sr. Darlu, Sr. Boutroux.
As minhas heroínas na história:
Cleópatra.
Os meus nomes favoritos:
Tenho apenas um de cada vez.
O que mais odeio:
O que há de mau em mim.
Figuras históricas que mais desprezo:
Não tenho conhecimento suficiente.
O evento militar que mais admiro:
O meu serviço militar!
O dom da natureza que gostaria de ter:
Força de vontade e poder de sedução.
Como quero morrer:
Aperfeiçoado(a) e amado(a).
O meu estado de espírito atual:
Aborrecimento por ter pensado em mim mesmo(a) para responder a todas estas perguntas.
Falhas pelas quais tenho mais indulgência:
Aquelas que eu entendo.
O meu lema:
Tenho muito medo que isso me traga infortúnio.
Fonte: Open Culture