A liberdade foi sempre o valor que o fez mover. É com toda esta vasta experiência, marcada pelo exílio, que o poeta vai construindo a sua obra.
“Na poesia de
Sena
ficamos a saber o que pensa sobre uma infinidade de coisas, das mais complexas às mais triviais”
(
Jornal I
, 2018). Daí, que ele sempre tenha entendido a sua poesia, o seu teatro, a sua ficção, como uma forma de dar testemunho de si mesmo. De professor a dramaturgo, de poeta a crítico,
Sena
percorreu o caminho de uma vida agitada, sem a estabilidade de outros tantos, tendo deixando um legado de valor incalculável.
Grande parte da obra do escritor foi publicada postumamente pela viúva, Mécia de Sena. Contas feitas são mais de vinte coletâneas de poesia, uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um ato, mais de trinta contos, uma novela e um romance. Além de cerca de quarenta volumes dedicados à crítica e ao ensaio; à história e à teoria literária; ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, sem esquecer as traduções.
A sua obra de ficção mais famosa, considerada por muitos a sua obra-prima, é o romance autobiográfico
Sinais de Fogo
(lançado postumamente em 1979) e adaptado ao cinema em 1995. Ainda na ficção, outras obras maiores de Sena se destacam:
Os Grão-Capitães
(1971) e
Novas Andanças do Demónio
, uma coletânea de contos da qual faz parte a novela erótica
O Físico Prodigioso
,
“uma grande história de amor bissexual da literatura nacional, escrita dez anos antes da Revolução de Abril e publicada em 1966, ali mesmo nas malhas da censura e dos defensores da moral pública que não deram por nada”
(
Observador
, 2018).
Metamorfoses
seguidas de
Quatro Sonetos a Afrodite Anadiómena
(o título completo da coletânea), de 1963, é uma das obras poéticas de referência de um homem com imenso talento e vontade de tocar tudo.
Um poeta que nos dá a ver o tempo e o modo de fazer-se um poeta.