Gatos que curam

Por: Rita Caetano a 2024-12-03

10%

Vamos Receitar-lhe um Gato
17,85€ 16,07€
PORTES GRÁTIS

E se, numa consulta, em vez de um medicamento, lhe receitassem um gato? É isso que acontece na nada convencional Clínica da Alma Nakagyo Kokoro, em Quioto. Os pacientes desconfiam da terapia, mas a verdade é que os felinos resolvem os problemas de saúde mental narrados, e com a vantagem de não ser preciso muito tempo de tratamento. Com muito humor à mistura, a escritora japonesa Syou Ishida conquistou os leitores com cinco histórias deliciosas que realçam a relação entre felinos e humanos... 

“Um gato por dia não sabe o bem que lhe fazia”, diz o pouco tradicional médico da Clínica da Alma Nakagyo Kokoro a Shuta Kawaga. O jovem de 25 anos, que foi à procura de ajuda médica para deixar o seu emprego numa corretora que enxovalhava os empregados, ficou atónito, quando a mal-humorada enfermeira lhe passou a caixa transportadora com a gata Bê lá dentro, até porque já tinha ido a outras clínicas psiquiátricas e nada de semelhante lhe tinha acontecido. Além do animal, a receita contempla a comida, os objetos de que vai precisar e um folheto de instrução para lidar com a gatinha cinzenta. “Nome: Bê. Fêmea. Idade estimada de 8 anos. Europeu comum. Alimentar com quantidades moderadas de comida para gato de manhã e à noite. A taça de água deve estar sempre cheia. Limpar a areia sempre que necessário. Por norma, independente e pode ser deixada sozinha. Peças pequenas passíveis de serem engolidas e quebradas, como pratos e chávenas, devem ser guardadas num armário. Mantenha-se atento às plantas envasadas. Não deixe a gata sair de casa. É tudo.” Instruções preciosas para quem confessa que não tomava conta de um ser vivo desde os coelhinhos da escola primária.  Perplexo, não percebe como é que a felina o vai ajudar. 

Shuta Kawaga é a primeira personagem a perder-se nas ruas de Quioto para encontrar a clínica de que todos falavam, situada num sítio difícil de encontrar, dentro de um velho edifício. A degradada arquitetura era o primeiro aspeto a causar espanto às personagens assim que lá chegavam, recomendados por um familiar, amigo ou conhecido, sem saberem ainda que a receita passada seria ainda mais insólita. 

Além de Bê, que consegue, de forma atribulada, que Shuta Kawaga se demita e encontre um trabalho na construção — bem diferente do anterior, diga-se —, surgem na história Margot, Koyuki, Tangerina (e Tanque) e Mimita que vão, respetivamente, ajudar Yusaku Koga, um homem de meia-idade, a perceber melhor a sua nova e “espalhafatosa” colega de trabalho e a unir a sua família; Aoba, uma criança cuja mãe tem dificuldade em perceber, a viver entre os grupos da escola que não quer ter de escolher, ajuda ainda a própria progenitora a superar o abandono do gatinho da família no passado; Tomoka Takamine, uma designer de acessórios, a ser mais gentil consigo própria; e Abino, uma gueixa, a ultrapassar a perda do seu gato bebé. Todos os gatos vêm com o tal folheto de instruções, sempre diferente para cada um. 

Ao longo das páginas de Vamos Receitar-lhe um Gato, as ações dos felinos acabam por ter consequências positivas, mesmo que, por vezes, de forma indireta. A relação paciente–gato é descrita de forma sublime pela autora que também relata detalhadamente as personalidades e as características físicas de cada um dos gatinhos. Brincalhões, ariscos, cativantes, agitados, sossegados ou desafiantes, todos eles são pródigos em tropelias — tal como os verdadeiros —, desde desfazer documentos importantes a não deixarem os "donos-pacientes" dormir, sem esquecer, aqui e ali, alguma destruição dos locais por onde passam. Tudo acontece, mas há sempre um final feliz, podemos garantir-lhe, e, sim, os gatos resolvem os problemas apresentados. 

Na vida real, as coisas podem não ser assim tão simples, mas a grande mensagem de Syou Ishida é que há sempre uma solução para os nossos problemas e mostra-nos isso com personagens muito peculiares (e divertidas), mas com problemas bem comuns nos dias que correm na nossa sociedade.


Terapia literária

Vamos Receitar-lhe um Gato inclui-se na corrente literária de origem japonesa e coreana conhecida como healing fiction (ficção curativa, em tradução literal). Estes livros presenteiam os leitores com narrativas simples e com um tom positivo, que convidam à evasão do quotidiano. As personagens encontram sempre soluções para as suas dificuldades e esse facto pretender ajudar os leitores a melhorar também a própria vida. 

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?

O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.