Têm surgido cada vez mais evidências de que o género é um espectro e não um sistema binário: masculino ou feminino. À medida que se quebram os preconceitos associados a cada género, continuando a longa caminhada rumo à igualdade de direitos, importa desmistificar várias noções relativas à identidade de género. Cunhado na década de 60, este termo define-se como a perceção pessoal de cada um sobre o seu próprio género, sendo que aos casos em que uma pessoa não se identifica com o género com que nasceu, dá-se o nome de disforia de género.
Embora durante muito tempo tenha sido convencionado que existiam apenas dois géneros, atualmente existem mais de cinquenta termos identificativos, sendo também cada vez mais comum a utilização de pronomes neutros para todos aqueles que não se identificam com os dois géneros tradicionais. De um questionário conduzido pelo The New York Times a cinco mil pessoas, a quem foi pedido que definissem a sua identidade numa única palavra, resultaram mais de cem palavras diferentes, tendo o autor do artigo, Dan Levin, concluído que “a experiência humana é infinita”. Os livros que aqui apresentamos falam sobre todo o espectro de cores da experiência humana, num mundo não mais definido apenas pelo azul e o rosa.
The Art of Being Normal
Lisa Williamson
Também direcionado ao segmento jovem-adulto, The Art of Being Normal segue a vida de dois adolescentes — David e Leo —, que sempre se sentiram diferentes. Em casa de David, os pais pensam que ele é homossexual, enquanto os colegas de escola pensam que ele é apenas estranho, mas só os seus amigos mais próximos sabem a verdade: David quer ser uma rapariga. Quando conhece Leo, que se debate com as mesmas questões, nasce uma amizade inseparável, ajudando-se mutuamente a descobrir as suas verdadeiras identidades.
Orlando
Virginia Woolf
Um clássico da literatura queer, Orlando (Cavalo de Ferro), de Virginia Woolf, narra a história de um poeta que transita do sexo masculino para o feminino e vive durante séculos, tendo a oportunidade de conhecer algumas das figuras mais importantes da história da literatura inglesa. Segundo a autora, a inspiração para esta obra teve origem na sua relação amorosa com a escritora Victoria Mary Sackville-West, que, como Woolf, era membro do Bloomsbury Group, um grupo literário conhecido pelos seus ideais liberais relativamente à sexualidade.
None of the Above
I. W. Gregorio
Escrito para o público jovem-adulto, None of the Above relata a história de Kristin, uma jovem adolescente que descobre que é intersexo, isto é, que nasceu com características sexuais típicas do género masculino e do feminino. Quando o seu diagnóstico é revelado à escola inteira, Kristin é forçada a questionar toda a sua identidade, resultando num romance inovador que reflete sobre o que significa ser rapaz, rapariga ou algo entre os dois.
Symptoms of Being Human
Jeff Garvin
Nomeado para vários prémios de melhor ficção jovem adulto, Symptoms of Being Human conta a história de Riley Cavanaugh — rebelde, punk rocker e de género não-binário (ou género fluído). Nuns dias, Riley identifica-se como rapaz, noutros, como rapariga, no entanto, o medo de se assumir perante um pai conservador, leva-o a começar um blogue anónimo para descarregar as suas frustrações. Mas quando a sua identidade é descoberta por um leitor, é forçado a fazer uma escolha: acabar com o blogue que o ajudou a aceitar a sua identidade ou assumi-la publicamente.
Problemas de Género - Feminismos e subversão da identidade
Judith Butler
Originalmente publicado em 1990, Problemas de Género (Orfeu Negro) é um dos textos mais importantes da teoria feminista e dos estudos de género. Da autoria da filósofa e ativista norte-americana Judith Butler, esta é uma obra pioneira que aborda o conceito de género como performatividade — isto é, como algo que se constrói e que é, em última análise, uma performance. As ideias defendidas neste livro vieram a formar os alicerces da teoria queer, razão pela qual esta é uma leitura indispensável para todos aqueles que se interessem por este tema.
Cérebro e Género - Para Lá do Mito do Cérebro Masculino e Feminino
Daphna Joel e Luba Vikhanski
Da autoria de Daphna Joel, neurocientista de renome internacional, e Luba Vikhanski, redatora especializada em ciência, Cérebro e Género — Para lá do Mito do Cérebro Masculino e Feminino (Temas e Debates) explora o mito, perpetuado durante gerações, de que as mulheres são profundamente diferentes dos homens. Utilizando os resultados inovadores do laboratório dirigido por Daphna, os autores explicam que cada cérebro e cada ser humano é um mosaico único de características masculinas e femininas, destruindo assim preconceitos frequentemente associados a cada género.
Beyond Magenta
Susan Kuklin
Neste livro que combina texto e fotografia, a escritora e fotógrafa Susan Kuklin acompanha a vida de seis adolescentes norte-americanos que descrevem as suas experiências pessoais como membros da comunidade transgénero. Considerada uma obra de referência da literatura queer, Beyond magenta alia poderosos testemunhos a fotografias profundamente genuínas dos adolescentes entrevistados por Susan. O resultado é um retrato honesto e emotivo das suas jornadas individuais para descobrir a sua verdadeira identidade, ao mesmo tempo que navegam pelas dificuldades típicas da adolescência.