A Black Friday ficou conhecida como a data que dá início à época de compras de Natal. Com origem nos Estados Unidos da América, passou a estar associada, também, ao dia a seguir ao Dia de Ação de Graças, uma festividade tipicamente norte-americana celebrada na última quinta-feira de novembro. Mesmo sem Thanksgiving Day, a verdade é que o resto do mundo adotou a Black Friday, procurando replicar a loucura vivida nos Estados Unidos.
Com o aproximar da sexta-feira mais aguardada do ano, partilhamos algumas curiosidades sobre este dia, desde a história desta designação e a sua evolução ao longo das décadas, até aos produtos mais procurados, e alguns dados sobre como este dia tem acontecido em Portugal — e não eprca no final as melhores dicas para sobreviver a este dia.
1. Origem da Black Friday
Especula-se que o termo Black Friday tenha várias origens. Uma delas remonta ao ano de 1869, quando os especuladores financeiros Jay Gould e James Fisk compraram a dívida pública americana, convencidos de que ambos iriam lucrar com a compra. As suas esperanças foram em vão: a 24 de setembro, o mercado entrou em bancarrota.
Este nome só voltaria a ser utilizado um século depois , desta vez para descrever o dia a seguir ao de Ação de Graças quando as ruas de Filadélfia colapsaram, acabando por ser noticiado pelo jornal The New York Times como “o dia mais movimentado de compras e trânsito” na cidade. Nesta época a designação também era utilizada para nomear o dia em que a contabilidade, feita a papel e caneta, passava do “vermelho” (prejuízos) para o “preto” (lucros).
Os dias antes de Natal na loja americana Macy's, em 1948. Fotografias de Nina Leen.
2. A Black Friday como a conhecemos hoje
De acordo com o jornal BBC, só na primeira década de 2000 é que a Black Friday ganhou a força e popularidade que conhecemos hoje. Até essa data, o sábado antes do Natal era geralmente o dia em que se registava o maior número de compras, nos Estados Unidos da América.
Com o passar do tempo, outros países começaram também a adotar a Black Friday, com as empresas a implementar esta campanha tão lucrativa, com este dia assim como a semana que o antecede, consumidas por um frenesim em nome das melhores promoções. Assim, esta data tão associada ao Dia de Ação de Graças, passou a ser um evento internacional.
3. Uma noite em branco à procura dos melhores descontos
Até ao final de 2010, as lojas americanas abriam por volta das seis da manhã para receber os seus clientes para a Black Friday. Contudo, alguns retalhistas começaram a mudar os horários, obrigando os trabalhadores a abrir as lojas a abrir a partir das cinco ou até quatro da manhã.
Em 2011, algumas empresas como a Target, Kohl’s, Macy’s e Best Buy, chegaram a um novo recorde ao abrirem à meia-noite, o que levou a protestos e, inclusive, à proibição, em alguns estados, da abertura de lojas durante o dia de Ação de Graças. Com algumas exceções, essa continua a ser a norma em 2025, mantendo-se os horários madrugadores na sexta-feira que se segue a este feriado nacional norte-americano.
Rapaz na montra da Toys R' Us, em 2014, na Times Square.
4. Uma Black Friday cada vez mais digital
Depois do fim-de-semana a loucura continua: o termo Cyber Monday foi criado pela agência americana National Retail Federation (NRF) em 2005, quando repararam que as pessoas continuavam as suas compras de Natal quando regressavam ao trabalho na segunda-feira após o Dia de Ação de Graças, desta vez online: na altura, a maioria das pessoas tinha uma ligação à internet mais rápida no trabalho do que em casa.
Hoje em dia, a própria sexta-feira de descontos acontece cada vez mais no hiperespaço. Nos anos de 2020 e 2021, devido à pandemia Covid-19, as compras online ganharam cada vez mais peso. Apesar dos preços mais altos causados pela inflação a partir de 2022, as vendas online associadas à Black Friday atingiram recordes nos Estados Unidos, chegando aos $9.12 biliões.
Em Portugal, esta tendência repete-se: de acordo com a SIBS, a Black Friday de 2024 teve um crescimento de 67% nas compras online face ao ano anterior, versus 17% de crescimento nas lojas físicas, constintuindo 27% do total das vendas associadas a este dia. É também de notar a cada vez maior utilização da Inteligência Artificial para procurar os melhores descontos.
Hulton Archives. Getty Images, de 1932
5. Black Friday à portuguesa
Em Portugal, a Black Friday já se tornou uma data fixa no calendário de comerciantes e consumidores. De acordo com os últimos dados, 89% dos portugeuses entre os 18 e os 54 anos planeia aproveitar esta data para fazer compras, e gastar, em média, 327 euros durante este período de descontos, ligeiramente menos do que o ano passado, quando cada comprador português gastou em média 49 euros neste dia.
As estatísticas dos últimos anos apontam o vestuário, o calçado, cosméticos, equipamentos desportivos e eletrodomésticos como os produtos mais procurados em Portugal, sendo que este ano a intenção de compras diminuiu em todos os sectores exceto o dos brinquedos.
6. O lado sinsitro da Black Friday
Os vídeos e imagens de clientes a irromper pelas lojas e de disputas violentas pelos últimos produtos já são bem conhecidos. Em 2008, duas pessoas morreram depois de uma altercação que acabou em tiros, na Toys R Us, na Califórnia. Dois anos depois, um homem foi confrontado por dois oficiais da Marinha depois de este ter roubado um computador na loja Best Buy. Em resposta, o assaltante esfaqueou um dos militares e tentou fugir, sem grande sucesso.
De acordo com o website Black Friday Death Count, criado para a contabilização da violência associada a este dia, já ocorrerem 17 mortes e 125 feridos na corrida pelos descontos da Black Friday, nos Estados Unidos da América. Há quem diga que, estatisticamente, é mais provável morrer se for às compras neste dia do que de um ataque de tubarão quando vai ao mar: se fica com receio destes temíveis animais carnívoros sempre que vai a banhos, talvez deva considerar também ficar pelas compras online nesta Black Friday.
7. Dicas para aproveitar esta Black Friday
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Comece as suas compras mais cedo. A maioria das lojas começa a celebrar a Black Friday alguns dias antes, pelo que basta prestar atenção às redes sociais e à sua caixa de e-mail, para estar a par das promoções imperdíveis. Já segue a Livraria Bertrand no Facebook e Instagram? Não pode perder aquilo que temos preparado para si.
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