5 curiosidades sobre Friedrich Nietzsche

Por: Beatriz Sertório a 2019-10-15 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche

Um dos filósofos emblemáticos dos finais século XIX, nasceu em 1844, em Röcken, e morreu em 1900, atacado pela demência, em Weimar. As suas reflexões caracterizam-se por uma violenta crítica aos valores da cultura ocidental.

Com efeito, para Nietzsche, a decadência do Ocidente começou quando o discurso filosófico, depois de Sócrates, veio afastar a síntese que se realizara na tragédia grega, substituindo a harmonia apolíneo/dionisíaco (representando a ambivalência da essência humana, dividida entre a desmesura passional e a medida racional) por um discurso das aparências, enganador e ilusório, que transforma a realidade autêntica em metáforas ocas. Esse processo de desvitalização encontrará o apogeu com a afirmação da moral judaico-cristã, «moral de escravos», reflexo de uma maquinação hipócrita de indivíduos débeis, ignóbeis e vis numa tentativa de enfraquecer e dominar pela astúcia os valorosos.
A crítica nietzschiana acaba mesmo por abranger os fundamentos da razão, considerando que o erro e o devaneio estão na base dos processos cognitivos e que a fé na ciência, como qualquer fé em verdades absolutas, não passa de uma quimera.
Não se limitando, porém, à denúncia de um estado de espírito dominado pela submissão a valores ancestrais, impotentes para criar algo de novo e propagando a obediência e a servidão como princípios supremos, ao proclamar a «morte de Deus» e a abolição de qualquer tutela, Nietzsche passa ao anúncio de uma nova era centrada na exaltação da vontade de poder, apanágio do homem verdadeiramente livre, o super-homem, que não conhece outros ditames além dos que ele próprio fixa. No entanto, o super-homem não é unicamente dominado pelo egoísmo, cabendo-lhe dirigir a «massa», anónima e ignorante, para um estádio superior em que os valores vitais, a alegria e a espontaneidade permitam a reafirmação do instinto criador da humanidade.

Pensador paradoxal, associa ao super-homem a consciência do eterno retorno, procurando, talvez, exprimir o aspeto cíclico dos movimentos históricos ou a impossibilidade de, alguma vez, ser atingido um grau supremo de perfeição no devir do Homem.
Expressando-se de forma aforística e mantendo todas as suas afirmações no limiar da inteligibilidade imediata, Nietzsche foi um filósofo ímpar, tão inovador como polémico: ao exaltar, em detrimento da razão, a faculdade da vontade como núcleo da essência humana e verdadeiro motor do devir e colocando-se numa posição de profundo ceticismo face aos fundamentos da ética e da moral, abalou profundamente os pilares do racionalismo, sendo por isso considerado como um dos «filósofos da suspeita» (ao lado de Marx e Freud), na esteira da «crise da razão» que marcou profundamente a filosofia no século XX. Entre as suas obras são de destacar:
A Origem da Tragédia (1872), Humano, Demasiado Humano (1878), Aurora (1881), A Gaia Ciência (1882), Assim Falou Zaratustra (1883-85), Para além do Bem e do Mal (1886), A Vontade de Poder (1886, editado em 1906), A Genealogia da Moral (1887), Ecce Homo (1888), O Anticristo (1888).

VER +

10%

A Gaia Ciência
15,15€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Ecce Homo
13,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

40%

Assim Falava Zaratustra
20,99€
40% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

O Anticristo
12,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

O Crepúsculo dos Ídolos
12,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Últimos artigos publicados

8 curiosidades sobre a língua portuguesa

No dia em que celebramos esta pátria tão mais rica e extensa do que o limite das nossas fronteiras que é a da língua portuguesa, partilhamos consigo oito curiosidades sobre a nossa língua que pode encontrar nos livros Almanaque da Língua Portuguesa e História do Português desde o Big Bang, de Marco Neves.

Se gostou de "Shadow and Bone", tem de ler estas sugestões

 Não foi apenas em Ravka que Alina Starkov prometeu dissipar a escuridão. Se também ficou rendido(a) à imaginação de Leigh Bardugo, descubra estas sugestões que o vão fazer esquecer, ainda que por breves momentos, o quotidiano banal em que vivemos

Isto é a democracia

Em 2005, o escritor David Foster Wallace iniciou o discurso que dirigiu aos finalistas de uma instituição universitária no Ohio, intitulado “Isto é a água”, com a seguinte parábola: “Dois jovens peixes estão a nadar juntos e cruzam-se com um peixe mais velho nadando em sentido contrário, que lhes acena e pergunta: — 'Bom dia, rapazes. Que tal está a água?' Os dois peixes jovens nadam um pouco mais até que se entreolham e um deles diz: 'Que diabo é a água?'”1. Ser-me-ia fácil gracejar, substituir os jovens peixes por ministros ou deputados… mas não pretendo aqui passar por peixe velho ou por peixe sábio — estou, ainda assim, mais distante deste que daquele. O sentido da história dos peixes, como esclarece Wallace, é este: as realidades mais óbvias e importantes são frequentemente mais difíceis de descortinar e debater. Acredito que o mesmo se passa com a cultura e, sobretudo, com a nossa democracia.

Considerado, juntamente com Marx e Freud, um dos filósofos da suspeita – caracterizados pelo seu pensamento subversivo em relação à ordem vigente -, o alemão  Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi um dos pensadores mais importantes do século XIX. Para além de filósofo, foi ainda poeta e crítico, sendo as suas obras expressão da crise da razão que tomou a Europa Ocidental de assalto no pós-Iluminismo.

No dia em que assinalamos 175 anos desde o nascimento deste homem controverso que um dia proclamou a morte de Deus, relembramos Nietzsche com cinco curiosidades sobre a sua vida.

 

Pois, creiam-me! — o segredo para colher da vida a maior fecundidade e a maior fruição é: Viver perigosamente! Construam suas cidades próximas ao Vesúvio! Mandem seus navios para mares inexplorados!


 

1. DEUS ESTÁ MORTO E QUEM O MATOU FOI NIETZSCHE

Foi no livro A Gaia Ciência, publicado em 1882, que Friedrich Nietzsche fez uma das suas afirmações mais controversas: “ Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós!”. Apesar de ter crescido no seio de uma família luterana  e ter até considerado uma carreira como pastor, o contacto de  Nietzsche com a filosofia durante a adolescência (sobretudo Arthur Schopenhauer, de quem era admirador devoto) fizeram-no  afastar-se da religião. 

Na sua visão, os princípios defendidos pelo Cristianismo eram fundamentalmente opostos à própria vida. Para o filósofo, o conceito de pecado era apenas uma forma de nos fazer ter vergonha dos nossos próprios instintos e sexualidade; a fé, uma forma de desencorajar a nossa curiosidade e sentido crítico; e a piedade, um encorajamento à valorização da fraqueza. 

Para além disso, a célebre declaração de morte de Deus por Nietzsche é sintomática do próprio período em que foi feita. O progresso científico que atingiu um auge sem precedentes na altura do Iluminismo, levou o filósofo a crer que a crença num Deus omnipresente e criador do Universo já não era possível – que a fé religiosa não poderia continuar a resistir à luz da ciência.

 
2. O SUPER-HOMEM E A BUSCA POR UMA VIDA AUTÊNTICA

Uma vez que Deus morreu, Nietzsche acreditava que cabia ao Homem ser o seu substituto. Deste modo, desenvolveu a sua teoria do Super-Homem (Übermensch) – um ideal de Homem que, face à orfandade divina, luta para dar significado à sua própria vida, elevando-se dos demais pela sua recusa de uma vida pacata e segura. 

Tendo começado a trabalhar como professor logo aos 24 anos e sido forçado a aposentar-se uma década depois devido a problemas de saúde, Nietzsche procurou um sentido para a sua própria vida na escrita e nas viagens. Apesar da miopia que o obrigava a andar de bengala, durante anos,  andou  de pensão em pensão, e cidade em cidade, por países como Itália, França ou Suíça, tendo passado a maior parte da sua vida adulta fora do país que o viu nascer. 

 

 

 

3. UM PENSADOR INCOMPREENDIDO

Devido à linguagem aforística que utilizava nas suas obras, as ideias de Nietzsche foram frequentemente incompreendidas ao longo do tempo. Uma das concepções erradas mais graves, que se criou à volta da sua obra, foi a de que o autor defendia ideias antisemitas. Na verdade, esta teoria começou após a sua morte, quando a sua irmã, Elizabeth Förster-Nietzsche (casada com um autoproclamado antisemita), começou a editar a obra de Friedrich de modo a espelhar os ideais nazis. 

A partir daí, o regime de Hitler começou a utilizar os textos de Nietzsche como base para justificar a sua ideologia, apropriando-se até da sua teoria do Super-Homem para designar os seus soldados. Só após a guerra, é que a manipulação da obra do filósofo pela sua irmã foi desmascarada e a reputação do filósofo limpa.

 

4. AMOR NÃO CORRESPONDIDO

Embora não se saiba muito acerca da vida pessoal de Nietzsche, conhece-se pelo menos a sua paixão pela filósofa e romancista russa Lou Andreas-Salomé. No seu livro Ecce Homo, reconhece a influência da autora num dos seus livros mais importantes, Assim Falava Zaratustra. Contudo, e apesar de Friedrich a ter pedido em casamento por três vezes, os seus esforços foram em vão. Mais tarde, Lou envolveu-se com o poeta Rainer Maria Rilke, sendo a sua relação revelada no livro Na Rússia com Rilke.

 

5. NIETZSCHE E O CAVALO DE TURIM

Um dos episódios mais curiosos e devastadores da vida de Nietzsche, é o do encontro com um cavalo que o levou à loucura. Em 1889, enquanto passeava pelas ruas de Turim, viu um homem a chicotear um cavalo porque este não se mexia. Perturbado pela situação, Friedrich colocou-se entre o cavalo e o agressor numa tentativa de proteger o animal, e desmaiou. Quando acordou, era incapaz de falar, proferindo apenas sons sem sentido. 

O que foi, inicialmente, julgado como um esgotamento nervoso, rapidamente progrediu para uma doença mental grave. Até hoje, não se sabe ao certo qual a doença que levou Nietzsche à loucura, contudo o episódio que esteve na sua origem tornou-se de tal forma lendário que inspirou um filme do realizador húngaro Béla Tarr, intitulado O Cavalo de Turim.

Friedrich morreu 11 anos depois. 

 

TRAILER DO FILME O CAVALO DE TURIM (2011).

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?


O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.