Dois meses depois de passar nos exames finais para se tornar professora, o pai de Annie Ernaux morreu. Revisitando a memória da sua vida, no que ela teve de mais particular, repleta de confiança no trabalho árduo e igual dose de sonhos frustrados, complexos de inferioridade e vergonha, uma filha procura preencher um vazio que é seu, traçando em simultâneo um retrato coletivo sobre uma época, um meio social, uma ligação familiar. Pouco depois, também a mãe desapareceu, após uma doença prolongada que lhe arrasou a existência, intelectual e física, e mais uma vez cabe à filha restaurar, através da palavra escrita, a sua presença na história. Neste volume reúnem-se os dois textos de Annie Ernaux sobre estas perdas: Um Lugar ao Sol, sobre o pai, publicado em 1984 e vencedor do Prémio Renaudot, e Uma Mulher, sobre a mãe, lançado em 1988. Duas peças literárias fulgurantes, misto de biografia, sociologia e história, onde resplandece a ambivalência dos sentimentos que unem filhos e pais e o impacto da quebra desse elo vital.
Indicado para: potenciar a catarse perante processos de conflito, afastamento ou rutura com o pai e/ou a mãe; aplacar sentimentos de vergonha, rejeição, desdém, culpa, traição, amargura, remorsos, frustração, desprezo ou incompreensão em relação aos progenitores; acompanhar o processo de envelhecimento/declínio físico e mental dos pais e a dor emocional do luto;
Efeitos secundários: ressuscitar de velhas memórias; momentos de profunda introspeção; juízos inéditos acerca de eventos passados; possível perturbação e incómodo inicial com posterior sensação de lucidez, alívio, libertação e apaziguamento; sentimentos de condescendência, ternura, honestidade e amor filial;
Posologia: reservar para ler de seguida num dia de descanso.