Depois de passar a infância num orfanato, Noah conhece finalmente Patience, a mãe, aos doze anos. Mas, apesar de ela fazer tudo para o compensar, nunca se refere ao motivo do abandono; e, por isso, seja na casa de praia de Cape Cod, onde passam temporadas, seja no teatro do Connecticut onde acabam a trabalhar juntos, há um caminho de brasas que teima em separá-los, mas que nenhum ousa atravessar.
Quando Noah encontra Frank O’Leary — um jesuíta excêntrico que guia um Rolls-Royce às cores —, descobre nele o amparo que procurava. Mesmo assim, há coisas que o padre prefere guardar para si: os anos de estudante; o bar irlandês de Boston onde ele e os amigos se encharcavam de cerveja e recitavam poemas; e ainda Catherine, a jovem ambiciosa que não temeu desviá-lo da sua vocação.
É, curiosamente, a terrível experiência de solidão num colégio religioso o primeiro segredo que Patience partilhará com Noah; contudo, quando essa confissão se encaixar no relato do padre Frank, ficará no ar o cheiro da tragédia e a revelação que se lhe segue só pode ser mentira.
Indicado para: gerir quadros de solidão, desamparo ou desassossego; apaziguar dramas familiares; amparar processos de dúvida e de desadequação no exercício da parentalidade; treinar a empatia, a tolerância e a abertura aos argumentos/justificações/perspetivas dos outros;
Efeitos secundários: episódios de introspeção e balanço de vida; necessidade de retiro na natureza, nomeadamente junto do mar; relativização das pressões sociais e expectativas; crescimento emocional e amadurecimento generalizado; sentimentos de aceitação de si e dos outros, honestidade e humanismo;
Posologia: Diluir a leitura de 15 a 20 páginas ao longo de um dia.