Depois da grande narrativa de Viagem por África, que o levou do Cairo à Cidade do Cabo, Paul Theroux alimentou o desejo de percorrer a «margem ocidental» do grande continente, da Cidade do Cabo até ao Norte de África, passando por Angola.
Porém, após visitar Angola, o incansável viajante decide interromper o seu caminho ascendente. As experiências-limite por que passou, a deceção com a decadência, a colonização pelo materialismo ocidental, a omnipresença da corrupção e da pobreza, além da perda da comunhão dos povos com a natureza terão feito desta a última viagem de Theroux ao Continente Negro. Viajando sozinho, atravessando a África do Sul e a Namíbia, chega a Angola para encontrar um mundo cada vez mais distante dos itinerários dos turistas e das esperanças dos movimentos de independência pós-coloniais.
Angola sai maltratada deste livro, assim como muitas figuras de proa de organizações humanitárias que operam em África com o apoio do Ocidente. Um documento impiedoso e de grande atualidade. Um livro-choque, em tom de reportagem e relato de viagem experimental entre cidades e desertos, florestas e longas praias africanas, sempre com uma honestidade implacável e desarmante.
Indicado para: aprender sobre o continente africano contemporâneo; contrapesar uma possível visão idílica ou romantizada do continente; abrir-se a outras perspectivas sobre África; denunciar quadros de decadência generalizada, corrupção, crimes variados, injustiça, miséria, fome, desumanização e alheamento face à natureza
Efeitos secundários: sentimentos de desolação, decepção, inquietação, revolta, repulsa, desesperança e vergonha; episódios de sarcasmo e ironia
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