Perguntar, hoje, pelo "valor" do que fazem os professores não pode deixar de remeter, necessariamente, para a discussão sobre os próprios processos de construção científica, política e social dos "quadros de referência", dos "padrões de desempenho" ou dos "referenciais de qualidade": quem os constrói? como construí-los? como utilizá-los? Num contexto de conflito de referenciais, estas questões apontam para a urgência de uma legitimação, a qual deverá começar, antes de mais, por uma re-interrogação das práticas docentes, com os docentes e pelos docentes. Esta obra pretende contribuir para uma reflexão partilhada e instituinte sobre as práticas de avaliação do desempenho docente, reforçando a capacidade de os próprios professores discutirem, construírem e aplicarem dispositivos de auto-regulação que assegurem a legitimidade de uma avaliação colocada, prioritariamente, ao serviço do desenvolvimento profissional e de uma regulação democrática do trabalho docente. É neste enquadramento e servindo estes propósitos, que esta obra se situa. Reunindo um conjunto de textos de vários autores portugueses, procura problematizar questões ligadas à formação e à avaliação de desempenho, com base em evidência empírica e em testemunhos e experiências neste âmbito, em vários contextos, à luz do desenvolvimento profissional de professores.