O que queres ser quando fores grande?

Por: Marisa Sousa a 2022-06-01 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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Às quartas-feiras, lemos poesia

Partilhamos consigo quatro livros de poesia que ocuparam os lugares cimeiros nas preferências de leitores e livreiros Bertrand, na sexta edição do Prémio Livro do Ano Bertrand.

“Santo António”, de Fernando Pessoa

Depois do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que celebramos a 10 de junho, chegam as festejos populares em honra de Santo António, o santo casamenteiro que Lisboa guarda no coração. Dia 13 de junho, assinala-se também o nascimento de um dos nomes maiores da poesia portuguesa: Fernando Pessoa, o poeta que era muitos (“Eu sou muitos”). Partilhamos um excerto do seu poema “Santo António”.

Três Poemas de João Luís Barreto Guimarães

Embora dedique a rotina dos seus dias à prática da medicina, é nas horas vagas que João Luís Barreto Guimarães se distingue como tradutor e poeta. Nascido no Porto em 1967, publicou o seu primeiro livro de poemas em 1989 (Há violinos na tribo), tendo já dezenas de livros publicados atualmente. Para além de ter recebido o Prémio Criatividade Nações Unidas em 1992, e o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, foi ainda o vencedor do Prémio Livro de Poesia do Ano Bertrand 2018 com o livro Nómada - a escolha dos nossos livreiros e leitores e foi o primeiro autor não americano a ser reconhecido com o prémio Willow Run Poetry Book Award, pelo livro Mediterrâneo. A propósito do seu aniversário, celebrado hoje, 3 de junho, partilhamos três dos seus poemas.

O que queres ser quando fores grande?

Quando for grande 
quero ser vento, quero ser árvore, quero ser verbo
ter rios a correr-me no peito
ser longe, balão e nuvem, primaverar-me, ser andorinha 
não temer o voo sem escala, o sonho sem rede
quero ser uma agitadora de rebanhos e morder desafios em dó maior
desinventar sombras e medos
regar as estrelas ao anoitecer e nunca sentir falta de mim

Quando for grande
quero iluminar as vírgulas, derrubar as paredes do pretérito
cantar vogais com a boca cheia de tempo, vestir metáforas em dias quentes
sair para a rua, estender poemas a secar no jardim
aquecer gargalhadas em lume brando, juntar-lhe sonetos e sol
engarrafar o cheiro a relva no meu boião de amanhãs
decretar banhos de mangueira
viver a cores como quem explode
fechar os olhos como quem sente
dançar vitórias como quem espera

Quando for grande 
quero inventar feriados, andar descalça, bordar abraços
ser tarde, amanhecer-me, acordar-me, sacudir o pó das asas 
beijar a tristeza na testa
usar suspiros nos lábios e flores dentro de advérbios
quero sujar-me na terra
Adultar-me tarde e chegar a mim sempre a tempo
quero ser maior, ser mar, descomplicar 
fazer cócegas no absurdo, sem nunca arranhar a ternura

Quando for grande quero ser um acontecimento
Quando for grande quero ser tudo.


 

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