Partilhamos consigo quatro livros de poesia que ocuparam os lugares cimeiros nas preferências de leitores e livreiros Bertrand, na sexta edição do Prémio Livro do Ano Bertrand.
1. Paixão, de Maria Teresa Horta
Esta obra, publicada em agosto de 2021, nasce de uma perda da autora: o seu marido que era, o amor da sua vida. Homenageia-o com a sua poesia, num livro absolutamente cru e intenso.
PAIXÃO
Eu não sei do coração
a esconder-se sem defeito
no interior da paixão.
na dúvida de ter razão
pois dele
entendo o preceito
a perder o coração
à beira-mar
do teu peito
Maria Teresa Horta in Paixão
2. Corpo Casa, de Rupi Kaur
Nesta poesia de Rupi Kaur, o leitor é conduzido numa viagem aos vários “estágios” da nossa vida, ao presente, ao passado e ao que poderemos vir a ser. Contém ilustrações da autora e é já um fenómeno mundial da poesia contemporânea.
nada dura para semore
deixa que essa seja a razão para ficares
mesmo esta tristeza doentia e contorcida
não vai durar
- esperança
Rupi Kaur in Corpo Casa
3. Afectuosamente, de Margaret Atwood
Margaret Atwood, autora do célebre bestseller A História de uma Serva (Bertrand Editora) publicou a primeira coletânea de poesia em mais de uma década. Em Afectuosamente, a autora aborda amor, a perda, a passagem do tempo, a natureza - e zombies. A autora não dispensa da sua imaginação única, abordando os seus temas de forma abrangente.
POEMAS ATRASADOS
Estes são os poemas atrasados.
A maior parte dos poemas está atrasada
é claro: demasiado atrasada,
como a carta enviada por um marinheiro
que chega depois de ele se afogar.
Demasiado atrasadas para serem úteis, tais cartas,
e com os poemas atrasados é parecido.
Chegam como se pela água.
O que quer que tenha acontecido:
a batalha, o dia ensolarado, o luar
deslizando para a luxúria, o beijo de despedida. O poema
dá à praia como destroços.
Ou atrasados, como se atrasados para jantar:
cada palavra fria ou ingerida.
Canalha, apuro, e vencido,
ou demorar, esperar, um pouco,
esquecido, lamentado, abandonado.
Amor e alegria, até: canções trituradas.
Feitiços enferrujados. Refrães gastos.
É tarde, é muito tarde;
demasiado tarde para dançar.
Ainda assim, canta o que puderes.
Acende a luz: canta lá,
canta: Vá.
Margaret Atwood, in Afectuosamente
4. A Colina que subimos, de Amanda Gorman
A colina que subimos é um poema inaugural e uma carta de amor à poesia e à sua resistência e poder através de todas as instabilidades e ameaças, celebrando a promessa da América.
Foi lido pela própria autora na tomada de posse presidencial de Joe Biden em 2021 e conta com o prefácio de Oprah Winfrey.
Quando chega o dia, saímos da sombra
Em chamas e sem medo.
A nova aurora floresce enquanto a libertamos,
Pois há sempre luz,
Se houver coragem suficiente para a ver,
Se houver coragem suficiente para o ser.
Amanda Gorman, A Colina que Subimos