Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões nasceu a 19 de dezembro de 1924, em Lisboa, e morreu a 21 de agosto de 1986, na mesma cidade. Poeta fundador do Grupo Surrealista de Lisboa, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, e José-Augusto França, recebeu, pelas suas Poesias Completas, o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários. Em 1968, em entrevista ao jornal A Capital, confessou:“Sou parecidíssimo com a minha poesia. Mesmo no dia-a-dia, no próprio trabalho. Entre a minha expressão coloquial e a minha expressão poética não há distância. A diferença será de intensidade, ou ao que se pode chamar intensidade.” O que O’Neill não revela, nota a autora de Alexandre O'Neill - Uma biografia literária, Maria Antónia Oliveira, é qual das duas considera mais intensa: se a poesia, se a vida.
Fique com o poema A meu favor, originalmente integrado no livro No reino da Dinamarca.
A meu favor, de Alexandre O'Neill
‘A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer
A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.
A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos.’