De certeza que os teus pais e professores sempre te ensinaram que mentir é errado. Possivelmente, até já ficaste de castigo por alguma mentira que contaste. Então, porque é que há um dia dedicado às mentiras? Ou porque é que os adultos às vezes mentem? Será que existem alturas em que é correto mentir?
Não se sabe ao certo qual foi a origem do Dia das Mentiras, mas existe a teoria de que teve início em 1564, quando o rei D. Carlos IX decidiu trocar o calendário Juliano, pelo qual os franceses se guiaram até então, pelo Calendário Gregoriano, o que utilizamos atualmente. Isso fez com que passassem a celebrar a passagem de ano no dia 1 de janeiro, em vez de no dia 1 de abril, como haviam feito até essa data. No entanto, nem toda a população teve conhecimento desta mudança de imediato e, por essa razão, os que não haviam sido informados tornaram-se alvo de partidas que consistiam em receber convites para festas de Ano Novo que supostamente iriam realizar-se no dia 1 de abril, mas que, na verdade, já tinham decorrido no dia 1 de janeiro.
Desde então, tornou-se tradição em vários países europeus dizer mentiras e pregar partidas no dia 1 de abril. Mas se existe um dia em que é aceitável, e até esperado, dizer mentiras, isso significa que podem existir alturas em que mentir não é errado?
Existem mentiras inocentes?
Não existe uma resposta certa para esta pergunta, no entanto vários filósofos, isto é, pessoas que dedicaram a sua vida à arte de pensar, refletiram muito sobre isto. Enquanto filósofos como Immanuel Kant pensavam que é sempre errado mentir e não há nada que justifique este comportamento; outros, como Jeremy Bentham, acreditavam que é correto mentir quando a mentira traz mais felicidade a um maior número de pessoas do que a verdade.
Por exemplo, imagina que a tua mãe te oferece uma camisola que achas horrível, mas não queres magoar os sentimentos dela ao dizer que não gostaste da prenda que ela te comprou com tanto carinho. Deves mentir?
Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade?
Com o aparecimento das redes sociais, todas as pessoas com acesso à internet passaram a ter uma audiência invisível para a qual podem representar tudo aquilo que lhes apeteça. Mas o que acontece quando existem pessoas que decidem publicar mentiras? Pior ainda, o que acontece quando pessoas que deviam dizer sempre a verdade, como jornalistas, publicam notícias que não o são? As notícias falsas tornaram-se um verdadeiro perigo na nossa sociedade, por haver tanta informação disponível e por nem sempre ser é fácil perceber qual é verdadeira e qual não é.
Mas será que pelo facto de várias pessoas partilharem e acreditarem numa mentira, ela se torna verdade?
© SébastienThibault
Os animais também são mentirosos?
A Teoria da Evolução, proposta por Charles Darwin, sugere que mentir e enganar faz parte da natureza animal e é até importante para garantir a sobrevivência de algumas espécies. Alguns pássaros utilizam a mentira para distrair predadores que os perseguem, ao fingir, por exemplo, que têm uma asa partida e, assim, conseguir fugir de forma inesperada. Noutros animais, como a famosa gorila Koko, foi até detetada a capacidade de pregar partidas em inúmeras ocasiões. Uma das suas mentiras mais famosas foi quando ao ser questionada pelos seus tratadores sobre quem tinha arrancado um lavatório da parede, ela, em vez de assumir a culpa, culpou um gato.
Será que os animais têm consciência do que é uma mentira? E caso não tenham, significa isso que não estão realmente a mentir?
Os livros na montra lateral vão ajudar-te a pensar sobre estas questões.