"O importante é que os leitores criem uma ligação e percebam que não têm de ser todos iguais."

Por: Inês Rebelo a 2020-03-05 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Isabel Moiçó

Isabel Moiçó nasceu em Lisboa e, em pequena, a família já costumava dizer que "devorava livros". Cresceu, casou e teve dois filhos, a quem passou o gosto pela leitura. É licenciada em Antropologia e pós-graduada em Comunicação da Saúde. As histórias da infância deram lugar a outras bem reais: desde 1993 que as conta em reportagens diárias na TVI, onde trabalha como jornalista.

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Ana Valente

Ana Valente nasceu em Alcobaça, onde o gosto pela escrita e pelas leituras começaram.
É licenciada em Sociologia. Tem uma pós-graduação em Ciências da Comunicação e fez do jornalismo a primeira profissão, na redação da TVI, onde trabalhou onze anos. Hoje, o dia-a-dia é comunicar e contar outras histórias. No projeto Mistérios e Aventuras, os sobrinhos são a inspiração.

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Mistério no Museu dos Dinos
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Últimos artigos publicados

Comunidade Bertrand | Manta de Histórias (Isabel Caldeira)

Foi em abril de 2019 que demos início à Comunidade Bertrand, procurando unir-nos a quem, como nós, é movido pela paixão pelos livros. Convidámos livrólicos e bloggers de diversos quadrantes a juntarem-se a esta família, dando-lhes um espaço no nosso site e desenvolvendo diversas iniciativas, tendo em vista a promoção da leitura. Isabel Caldeira, responsável pelo blogue Manta de Histórias, foi uma das primeiras a aceitar o nosso desafio.

José Tolentino Mendonça: "Há que não ter medo das perguntas."

Partilhamos consigo a segunda parte da entrevista a José Tolentino Mendonça para a revista Somos Livros. 

José Tolentino Mendonça: "Uma biblioteca é uma jangada que nos vai sobreviver"

Nasceu a 15 de dezembro de 1965, na Madeira, e teve no mar a sua escola do espanto. A escrita começou como um estranhamento e é da Bíblia ("um grande poema”) que nasce o seu amor pela literatura, essa escola de sabedoria. Investido cardeal em finais de 2019, o "Bibliotecário de Deus e dos Homens”, como já foi apelidado, foi eleito pelo Papa Francisco para ser o guardião do mais vasto arquivo do saber, o grande arquivo do Vaticano. Vê na poesia um lugar de inevitabilidades e gosta de citar Beckett ("falhar, falhar mais, falhar melhor”), para sublinhar a importância da arte de falhar, de esculpir, tirar camadas, para cada vez mais chegar ao osso, ao essencial. No seu novo livro, Rezar de Olhos Abertos (Quetzal) defende que a oração, mais do que um assunto privado, é um problema político, um assunto de conversa para todos. José Tolentino Mendonça, o cardeal poeta, no presente indicativo do verbo viver.

O Jossauro e a Sherlock são os protagonistas do Mistério no Museu dos Dinos, o primeiro livro de uma coleção de aventuras que promete divertir-te enquanto aprendes coisas novas. Conversamos com a Ana Valente, a Isabel Moiçó, as autoras, e com Paulo Silva, que partilharam connosco a sua experiência.

 


 

Há quanto tempo se conhecem e como se conheceram?

Ana Valente (AV): Conhecemo-nos na redação da TVI, há 12 anos. A Isabel já lá trabalhava como jornalista e eu cheguei para realizar o meu estágio em 2008. A minha primeira saída em reportagem aconteceu precisamente com a Isabel. Ficámos amigas desde logo. 

Isabel Moiçó (IM): É uma amizade que se foi fortalecendo com o passar do tempo, até porque o dia-a-dia numa redação é muito agitado. A vida levou-nos por caminhos diferentes: já não trabalhamos juntas, mas falamos praticamente todos os dias ao telefone e partilhamos as vitórias e as derrotas uma da outra com intensidade.

 

Como chegaram à decisão de escrever juntas? Foi entusiasmante escrever um livro a quatro mãos?

IM: Eu fui a uma livraria comprar um livro para o meu filho mais novo, o Pedro. Quando cheguei à redação desabafei com a Ana o quanto era difícil encontrar histórias que o cativassem ou que ele ainda não tivesse lido. A Ana fez-me uma pergunta: "Porque não escreves tu uma história para o Pedro"? Ao que eu respondi: "Excelente ideia"! Se a escreveres comigo!

AV: A partir daí começou esta aventura. A Isabel escreveu o primeiro capítulo e enviou-o para mim. Eu escrevi o segundo. A história foi ganhando forma e ao fim de umas semanas estava escrita. Depois chegámos à conclusão de que seria interessante juntarmos umas ilustrações. 

IM: Eu falei com o Paulo Silva, que conheço há muitos anos e que desenha maravilhosamente. Desafiei-o a criar as ilustrações para a história. E assim nasceu o Mistério no Museu dos Dinos

AV: Quando recebemos das mãos do Paulo Silva a história já com as ilustrações, gostámos tanto que a quisemos partilhar com mais meninos. A Bertrand Editora gostou da ideia e desafiou-nos a escrever outras histórias com os mesmos protagonistas. O Mistério no Museu dos Dinos é o primeiro livro da Coleção Mistérios e Aventuras.


 

Porquê o tema dos dinossauros (para o primeiro livro)?

IM: Há um número significativo de crianças apaixonadas por dinossauros. É assim em Portugal, mas também no resto do mundo. E muitas dessas crianças sabem imenso sobre esse tema. Desde os nomes (na maior parte das vezes dificílimos de pronunciar!) à forma como viviam, do que se alimentavam e até mesmo quando se extinguiram. 

AV: E isso é muito curioso. Desperta a imaginação dos mais novos para um mundo que provavelmente gostariam de conhecer.

IM: Em minha casa tenho uma dessas crianças. Um verdadeiro paleontólogo em miniatura. Quando surgiu a ideia de escrevermos uma história o tema só podia ser este.
 

 

Mistério no Museu dos Dinos

Ana Valente, Isabel Moiçó e Paulo Silva no lançamento do livro Mistério no Museu dos Dinos, no Dino Parque da Lourinhã.
Fotografia: Sofia de Medeiros / Alvorada

 

“Queremos que os nossos leitores aprendam ao mesmo tempo que acompanham as aventuras do João e da Rita.” Ana Valente

 

A Isabel é licenciada em Antropologia. Baseou-se nesses conhecimentos para escrever a componente mais científica do livro ou tiveram de fazer pesquisa?

IM: Sou licenciada em Antropologia mas nunca exerci. Na verdade, sempre trabalhei como jornalista. Mas, sendo a Antropologia uma ciência da humanidade e da cultura, tem um campo de investigação extremamente vasto. E articula-se com outras áreas do saber, embora conserve os seus métodos para investigar o ser humano nas suas diversas formas culturais, de comportamento e de vida social.

AV: Neste livro fizemos tal como os antropólogos fazem: trabalho de campo. Visitámos o DinoParque, na Lourinhã. Tirámos apontamentos e levantámos algumas hipóteses para o enredo. Pedimos também a quem realmente faz dos dinossauros uma forma de vida que revisse algumas partes do livro.

IM: O Dr. Simão Mateus, paleontólogo e diretor científico do Parque dos Dinossauros da Lourinhã, teve a amabilidade de fazer essa revisão. Além disso, a leitura de alguns livros sobre dinossauros ajudou à pesquisa.

AV: E vai ser assim em todas as próximas histórias. Queremos que os nossos leitores aprendam ao mesmo tempo que acompanham as aventuras do João e da Rita. As histórias vão acompanhar a aprendizagem. Vão acrescentar-lhe valor.  

 

O João é uma personagem que gosta mais de museus e de ler do que de futebol e de Educação Física. Há um objetivo intencional em realçar estes interesses da personagem?

AV: O primeiro objetivo é estimular o interesse dos mais novos pela leitura, quaisquer que sejam os interesses de cada um. O João prefere dedicar mais tempo a ler e a visitar museus. Mas, na próxima história, os nossos leitores vão perceber que o Jossauro também gosta de andar de bicicleta, por exemplo. Já a Sherlock é mais destemida, mais aventureira e desportista. Tem os sentidos apurados para a descoberta de mistérios e por isso corre, salta, entra pelas janelas e estimula o amigo nesse sentido.

IM: Depois, queremos chegar a todos os leitores. Queremos que eles se identifiquem agora desta forma e, depois, com as características e os interesses – do João, da Rita e das restantes personagens – que se vão revelar nas histórias seguintes. E é possível que um miúdo adore ler e visitar museus e seja um espetacular jogador de futebol ou de ténis. O importante é que os leitores criem uma ligação e percebam que não têm de ser todos iguais.      

 

Durante a infância, eram mais Sherlocks ou mais Jossauros?

IM: Eu era totalmente Sherlock. Era muito curiosa. Acho que ainda hoje sou! Adorava um bom mistério.

AV: Já eu, claramente, Jossauro. Sempre fui a estudiosa. Sempre a pesquisar. Mas também adoro resolver mistérios. Sempre fui muito curiosa, mas sem me aventurar demasiado (como a Sherlock). 

 

O que liam, em criança?

IM: Eu faço parte da geração da Enid Blyton. Acho que li, várias vezes, todos os livros dos Cinco e dos Sete! Ainda hoje me lembro dos nomes das personagens dos Cinco: David, Ana, Júlio, Zé (que era uma maria-rapaz) e o cão, Tim. Mas, na realidade, lia tudo o que apanhava. O meu irmão mais velho adorava a Agatha Christie e foi pela mão dele que descobri o detetive Hercule Poirot. 

AV: Eu sou de outra geração. Li muitos dos livros da Ana Maria Magalhães e da Isabel Alçada. A coleção Uma Aventura marcou claramente a minha infância e juventude. E lembro-me de ter estado com as autoras em várias sessões de leitura na escola, em Alcobaça, com o mesmo entusiasmo com que agora os nossos pequenos leitores nos recebem. 

 

Que autores vos inspiram?

IM: Por um lado, claramente, estes autores que acompanharam o nosso crescimento. Pela avidez do mistério, pela importância de ressalvar a amizade e o companheirismo entre os amigos, pela necessidade de lhes dar espaço e de estimular a imaginação e o sentido crítico.

AV: Por outro, mais do que em autores, inspiramo-nos nos mais novos. Em quem queremos que nos leia. O objetivo é colocarmo-nos na cabeça deles: como falam, o que gostam de descobrir, como se relacionam, até onde gostam de ir e como. Os meus sobrinhos são a minha grande inspiração.

IM: E os meus filhos, a minha… Aliás, assim que leu a história, o meu Pedro perguntou-me de imediato: “Porque te inspiraste em mim?”.

 

Como se coordenaram com o ilustrador?

AV: Primeiro, após a definição do tema e da pesquisa, partilhamos com o Paulo um género de linhas orientadoras e de contexto. Ele fica a cozinhar a ideia enquanto escrevemos. Depois de terminado, partilhamos o texto com ele, para que o leia e comece a criar os desenhos.

IM: Ao longo do texto vamos deixando dicas. Sugestões. Fazemos também uma lista das personagens, em que as caracterizamos e descrevemos as ligações entre si. Terminado o texto, é tempo de o artista trabalhar. Damos-lhe espaço e tempo, mas sempre na ânsia de ver as nossas personagens a ganhar vida. É tão giro ver o enredo! É a primeira fase do trabalho do Paulo. 

 

“Às tantas já não sabíamos quem tinha escrito o quê.” Isabel Moiçó

 

Querem partilhar connosco algum episódio curioso que tenha acontecido durante o processo de elaboração deste livro?

IM: O processo de escrita é dinâmico. Confiamos uma na outra. No final de cada capítulo deixamos notas com a ideia para o próximo. E este caminho é tão fluido que as ideias de uma e de outra se vão encadeando. 

AV: Assim que recebemos a primeira correção da Bertrand, já vários meses depois de termos escrito a história, percebemos isso mesmo: o tipo de escrita é igual. 

IM: Fizemos essa leitura juntas. E às tantas já não sabíamos quem tinha escrito o quê. É fantástico.

AV: “Espera lá”, dizia eu. “Mas isto é meu ou é teu?” E, na verdade, é das duas!

IM: Mas divertida foi também a visita ao DinoParque. Tirámos centenas de fotografias. Aos dinossauros, às placas, a tudo! Acabámos depois por alinhavar a história num almoço junto ao mar. 

AV: E a visita não passava de uma pesquisa exploratória para escrever uma simples história para o Pedro. Mal nós sabíamos que aquela pesquisa era o ponto de partida para uma coleção. Estamos muito felizes. 


 


 

Mistério no Museu dos Dinos

Imagem: Bertrand Editora

 

"Quero ser ilustrador quando for grande. Por enquanto vou-me divertindo a fazer ilustrações." Paulo Silva


Como descreve a experiência de ter ilustrado esta história? 

Paulo Silva (PS): Como não desenhava há muito tempo, pegar num lápis e em papel e voltar a desenhar à mão para entrar nesta aventura cheia de mistério, acompanhado pelo Jossauro e pela Sherlock, foi muito giro e extremamente gratificante. 

 

Houve alguma parte que tenha sido particularmente divertida de ilustrar? 

Várias, mas a mais divertida foi a sequência da ida do João e da Sherlock ao museu, à noite, para recolher provas do desaparecimento das caixas misteriosas. 

 

Os traços característicos de cada personagem são definidos pelas autoras ou é um trabalho conjunto? 

De certa forma é um trabalho em conjunto. As autoras enviam-me o texto e eu vou recolhendo toda as pistas espalhadas pelas páginas, pistas essas que me vão ajudar a imaginar e depois a desenhar cada personagem. Para as autoras é sempre uma surpresa conhecer o elenco quando lhes envio os desenhos. 

 

Ilustrar um livro infantil é uma aventura que exige que o ilustrador se coloque na pele das crianças que irão ler o livro? 

As crianças têm uma imaginação que lhes permite sonhar, acreditar que tudo é possível, ao contrário dos adultos, que se preocupam demasiado com o dia a dia, com o mundo real. Para ilustrar um livro infantil é fundamental entrar na aventura pelo olhar da criança. 

 

É mais Sherlock ou mais Jossauro? 

Mais Jossauro. Meio alheado do mundo que nos rodeia, sempre a sonhar acordado... 

 

Quando era criança, queria ser ilustrador quando fosse grande? 

Quero ser ilustrador quando for grande. Por enquanto vou-me divertindo a fazer ilustrações.

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