O narrador deste livro é uma criança, como nós. E é connosco que partilha a história do seu avô. Por entre imagens que vais, com certeza, adorar, ele conta-nos que o avô sempre foi seu amigo: brincavam em casa, passeavam na rua, andavam de baloiço, descobriam lojas e livros. O seu avô, como muitos avós, contava histórias daquelas de «quando-era-novo». Decerto também já ouviste muitas dessas histórias.
Só que, certo dia, o avô começou a esquecer coisas. Pequenas coisas, pormenores, nada de especial — o chapéu, as canetas, as moedas, os óculos. E tornou-se mais difícil ele acertar nos nomes
das pessoas que sempre conheceu bem ou distinguir as ruas por onde sempre andou. O avô tinha uma borracha na cabeça. As borrachas apagam coisas. E a cabeça do avô apagava coisas, as coisas dele. A vida dele. A família dele. Ele próprio.
Os adultos irão explicar-te que esta borracha aparece na cabeça por causa de uma doença que tem um nome complicado: Alzheimer (lê-se alzáimèr). Ainda não existe cura para esta doença. Ainda não existe uma borracha que a apague.
É normal ficarmos tristes quando alguém de quem gostamos começa a esquecer-se de nós. Mas é muito importante percebermos que temos uma função muito importante na vida dessas pessoas, a quem a borracha começa a apagar as memórias: podemos continuar a ser um lápis, a ajudá-las a viverem felizes, recordando-as, sempre que possível, do quanto gostamos delas. O amor é mais forte do que o esquecimento. Essa é a lição mais importante que retiramos deste livro.