Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, no dia 8 de dezembro de 1894. Embora tenha vivido apenas 36 anos, é uma das figuras mais importantes da poesia portuguesa do século XX, conhecida pela intensidade emocional e pelo lirismo apaixonado da sua obra.
No dia do seu nascimento (e também da sua morte) celebramos não apenas a mulher por trás da poesia, como revisitamos a sua obra, dominada por sonetos e onde o amor, a dor e o desejo se entrelaçam. A sua importância transcende a sua obra, influenciando gerações futuras pela forma de se expressar e pelo desafio às convenções sociais e literárias do seu tempo.
Recomendamos a leitura das suas principais obras: Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade, assim como a antologia completa de sonetos E Dizê-lo Cantando a Toda Gente, para sentir o impacto emocional e a intensidade da sua escrita. Esta autora emblemática do início do século XX português não se cingiu à poesia: conheça também seis contos da sua autoria na coleção O Dominó Preto.
Partilhamos também consigo um dos nossos poemas preferidos de Florbela, para que a sua chama nunca se apague.
Lágrimas ocultas
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!