Um novo fôlego para a Barnes & Noble

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-06-26 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

A Barnes & Noble , maior cadeia de livrarias dos Estados Unidos da América, vai ser adquirida pelo fundo de investimento privado Elliott Advisors. O acordo, anunciado na sexta-feira, dia 7 de junho, ficou estimado em $638 milhões de dólares, após meses de especulação acerca do futuro da livraria americana. 

Este novo capítulo da Barnes & Noble parece mais do que promissor, com especial destaque após a mesma empresa ter adquirido, em junho de 2018, a livraria Waterstones .

O seu chefe executivo, James Daunt , irá partilhar funções como CEO da Barnes & Noble. Um facto que traz renovada esperança aos olhos da indústria editorial, não tivesse sido Daunt o responsável por salvar a Waterstones de uma insolvência quase certa. 

A verdade é que a Barnes & Noble está muito longe da sua  golden age.  A sua história nasceu em Manhattan, em 1971, que começou numa pequena livraria e rapidamente evoluiu para a livraria com mais pontos de venda espalhados pelos Estados Unidos. Todavia, os últimos anos mostraram-se difíceis com o vasto império das livrarias online, como a Amazon. Na última década, a empresa fechou mais de 150 lojas, permanecendo apenas com 627. 

“Perder a Barnes & Noble seria catastrófico para a indústria” , afirmou Carolyn Reidy , presidente e chefe executiva da editora Simon & Schuster, ao The New York Times . “James Daunt é um ótimo livreiro, e o seu foco no Reino Unido tem trazido mais clientes. É positivo não apenas para uma Barnes & Noble firme, mas para uma Barnes & Noble em crescimento” .  

 

 

Antes de a Elliot Advisors comprar a Waterstones , que opera mais de 280 lojas, a cadeia britânica estava com dificuldades em subsistir. A estratégia de James Daunt passou por adaptar cada loja às necessidades e interesses da comunidade, funcionando muito mais como uma constelação de lojas independentes, do que como uma cadeia uniforme. Atualmente, conta com um crescimento de dois digítos. 

Em declaração ao Publishers Weekly , o empresário britânico afirmou estar ansioso por trabalhar com a Barnes & Noble. “As livrarias físicas de todo o mundo enfrentam desafios assustadores, infligidos pela Internet e pelas tecnologias digitais. Enfrentaremos estas adversidades com investimento e confiança (…), sabendo que, para escolher um livro, nada se compara a uma boa livraria”.  

 

A combinação perfeita, na altura certa

A estratégia de James Daunt e a Elliot Advisors chega numa época propícia para a indústria. Parece que os ebooks , outrora considerados a destruição e morte do papel, estão a decair em popularidade, enquanto que os livros físicos mostram uma regressão modesta, com um aumento de 1.3% em vendas no último ano, de acordo com a Forbes .

Mesmo com todos os funerais declarados ao livro e, consequentemente, à sua indústria, as pessoas continuam a gostar de ler no formato físico, até mesmo nas gerações mais recentes, imersas em tecnologia. Como resultado, as livrarias estão também a sofrer um ressurgimento, com um aumento de 35% entre 2009 e 2015. 

A compra da Barnes & Noble e da Waterstone é uma clara aposta no setor livreiro por parte dos investidores. Ainda que ambas as livrarias continuem a operar independentemente, vão partilhar as mesmas práticas. Os editores, pelo menos, acreditam que a livraria americana possa aproveitar os métodos, e consequente sucesso, da cadeia britânica.

Um novo impulso e, esperemos, um futuro animador para o livro impresso.

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