Páscoa | Uma viagem pelas curiosidades e tradições

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2022-04-13 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

A Páscoa está aí à porta. Esta é uma data com caráter marcadamente religioso, em que se celebra a ressurreição de Jesus Cristo, e se perpetuam tradições, solenidades e costumes. Mas será que sabe tudo sobre a Páscoa?

 

 

A ORIGEM DA PÁSCOA E A DEUSA DA MITOLOGIA ANGLO-SAXÃ

A Deusa Eostre era o símbolo da fertilidade, amor e renascimento, de acordo com as mitologias anglo-saxã, germânica e nórdica. Na época, eram organizadas várias celebrações pagãs, por altura da Primavera, onde as decorações eram feitas essencialmente à base de ovos, considerados símbolos de fertilidade. Para além disso, as lebres eram consideradas criaturas abençoadas pelos Deuses, devido à sua rápida reprodução. Eostre, também conhecida por Ostara, passou a representar a Páscoa em muitas línguas, nomeadamente na inglesa (Easter) e na alemã (Ostern).

Mais tarde, a Igreja Católica acabou por substituir as festividades pagãs pela Páscoa, não deixando, ainda assim, de absorver as suas tradições. A palavra Páscoa, todavia, tem a sua origem no hebraico Pessach, traduzido para Passagem. No judaísmo, esta “passagem” simbolizava a saída dos israelitas do Egipto e o fim da escravidão até à liberdade. Em suma, um ritual de transição, como a ressurreição de Jesus Cristo no catolicismo.

 

 

OS OVOS MANTÊM-SE COMO TRADIÇÃO ATÉ AOS DIAS DE HOJE

Na transposição das tradições pagãs para a religião católica, o ovo permaneceu como um símbolo que dura até aos dias de hoje. Da fertilidade de Eostre, os ovos passaram a representar a ressurreição de Jesus Cristo, sendo decorados das mais variadas cores e feitios. Em muitos países, a cor obrigatória passou a ser o vermelho, pela associação ao sangue de Cristo, com celebrações que culminam em festas e oferendas a familiares e amigos.

Contudo, outras adaptações foram feitas aos ovos da Páscoa ao longo dos séculos. Eduardo I de Inglaterra, no século XIII, oferecia aos seus súbditos favoritos ovos banhados em ouro, hábito que Luís XIV de França, o eterno “Rei Sol”, adotou, no séc. XVII. Quando o cacau chegou à Europa, no mesmo século, os chefes franceses passaram a rechear ovos de galinha com chocolate, “depois de o esvaziarem de clara e gema e pintá-los por fora”. No final do séc. XIX, a partir de moldes, os ovos passam a ser feitos apenas de chocolate. Na Casa Branca, nos EUA, desde 1870 que as crianças fazem uma caça aos ovos da Páscoa, uma tradição repetida um pouco por todo o mundo.

 

 

EM PORTUGAL, OS COSTUMES TAMBÉM SÃO VARIADOS (E APETITOSOS)

“O Compasso Pascal” é uma das celebrações religiosas mais antigas do nosso país, consistindo na visita de um padre, que benze a casa e todos os que ali habitam, simbolizando a entrada de Jesus Cristo no lar. Normalmente, as famílias costumam limpar a casa – e por vezes caiar, também – para a visita do Compasso.

Em Braga, na quarta-feira Santa, realiza-se a Procissão da Burrinha, onde Nossa Senhora é transportada em cima de um burro. Na quinta-feira Santa, por outro lado, a Procissão do Enterro do Senhor conta com os Farricocos – homens descalços, de cabeça tapada, com túnicas roxas apertadas na cintura e que desfilam empunhando tochas, evocando as práticas de reconciliação dos penitentes públicos, algo que era comum até ao séc. XVI.

Trás-Os-Montes é uma região conhecida pelos folares salgados, normalmente recheados com diferentes tipos de carnes e enchidos, que enriquecem a massa com a sua própria gordura. Em Bragança, Mirandela ou Chaves, os deliciosos folares são uma presença habitual na mesa, nesta altura do ano. Um pouco por todo o país, é também possível degustar o folar doce, feito com canela e erva-doce e decorado com um ou mais ovos cozidos.

O borrego é o protagonista principal na mesa alentejana. Em Castelo de Vide, benzem-se os borregos e fazem-se chocalhadas, com as pessoas a sair às ruas com guizos e chocalhos, enquanto que, um pouco por toda a região, algumas famílias continuam a ir comer borrego ao campo, na segunda-feira a seguir à Páscoa.

Também é tradição em Portugal oferecer-se uma prenda aos afilhados. Os padrinhos e as madrinhas, por norma, oferecem um folar, pão-de-ló, amêndoas ou dinheiro, enquanto que os afilhados devem entregar, no domingo de Ramos, um ramo de oliveira ao padrinho, ou um ramo de violetas à madrinha.


DOCE OU SALGADA, MAIS OU MENOS TRADICIONAL, DESEJAMOS-LHE UMA EXCELENTE PÁSCOA.
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