Escritor, crítico e tradutor espanhol, Juan Eduardo Zúñiga, morreu na passada segunda-feira, em Madrid, aos 101 anos.
Autor, entre outras obras, de Largo noviembre de Madrid (1980), Capital de la gloria (1989) e La tierra será un paraíso (2004), que constituem a chamada Trilogia da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), era também considerado o maior especialista em literatura russa e línguas eslavas, em Espanha. Em 2019, com 100 anos, publicou a autobiografia Recuerdos de vida, um relato marcado “pela guerra, pela vontade de aprender e pelo amor por Madrid”, como então a descreveu o jornal espanhol El País. “Só quando sentimos que o final da rua se aproxima é possível repensar o que aconteceu”, escreveu Zúñiga, na apresentação da obra.
Traduziu autores como Antero de Quental (Poesías y prosas selectas) – o que lhe valeu o Prémio Nacional de Tradução -, Urbano Tavares Rodrigues (Realismo, arte de vanguardia y nueva cultura), Mário Dionísio (Introducción a la pintura), Alexander Pushkin e Ivan Turgueniev.
Em fevereiro de 2019, pouco depois de completar um século vida, Zúñiga, através da família, depositou na "Caixa das Letras" do Instituto Cervantes um legado, em forma de cápsula do tempo, a abrir apenas em 2069. Inclui o seu cachimbo, "com o qual chamava as musas", a viseira negra, com que mantinha a concentração, e o manuscrito de um conto.
Fonte: Agência Lusa