O romance Siríaco e Mister Charles, do escritor cabo-verdiano Joaquim Arena, e o livro de poesia O Gosto Amargo dos Metais, de Prica Agustoni, poeta suíça naturalizada brasileira, são as obras vencedoras do Prémio Oceanos 2023. O primeiro é publicado em Portugal pela Quetzal, o segundo é editado pela Editora Exclamação. A cerimónia realizou-se na passada quinta-feira, no Itaú Cultural, em São Paulo, no Brasil. O prémio para cada vencedor é de 150 mil reais (cerca de 28 mil euros).
Este ano marca a primeira vez que o Prémio Oceanos 2023 se separou em duas categorias (prosa/dramaturgia e poesia) e destacou um júri diferente para cada uma. Síriaco e Mister Charles foi escolhido pelos brasileiros André Sant'Anna, Eliane Robert Moraes, José Castello, Schneider Carpeggiani, pelo moçambicano Nataniel Ngomane e pela académica portuguesa Clara Rowland. O júri que elegeu Gosto Amargo dos Metais é composto pelos brasileiros Célia Pedrosa, Maria Esther Maciel, Tatiana Pequeno e pelos académicos portugueses Carlos Mendes de Sousa e Golgona Anghel.
O romance destacado por este tão relevante prémio de literatura em língua portuguesa conta a “história da improvável amizade que decorre na ilha de Santiago, Cabo Verde, entre o jovem Charles Darwin e Siríaco, um velho negro, ex-escravo, que sofre de vitiligo”, lê-se na sinopse. Ao lado de Siríaco e Mister Charles, estavam também nomeados A História de Roma, da portuguesa Joana Bértholo (Caminho), A Última Lua de Homem Grande, do escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa (Dom Quixote), o já premiadíssimo Misericórdia, da escritora portuguesa Lídia Jorge (Dom Quixote) e Naufrágio, do escritor português João Tordo (Companhia das Letras).
Segundo o comunicado de imprensa do Oceanos, a obra de Prisca Agustoni nasceu do impacto dos crimes ambientais que aconteceram em Minas Gerais. Entre os finalistas da categoria de poesia estavam Alma Corsária, de Cláudia Roquette-Pinto (34); Diário da Encruza, de Ricardo Aleixo (Segundo selo); Entre Costas Duplicadas Desce um Rio, de Guilherme Gontijo Flores (Ars et Vita); e Paraíso, do poeta português Pedro Eiras (Assírio & Alvim).