Dia de recordar Eugénio de Andrade

Por: Bertrand Livreiros a 2021-01-19 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 no Fundão. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética. Revelou-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro. Os seus livros foram traduzidos em muitos países e ao longo da sua vida foi distinguido com inúmeros prémios, entre eles o Prémio Camões, em 2001. Morreu a 13 de junho de 2005 no Porto, cidade que o acolheu mais de metade da sua vida.

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Há 98 anos, nasceu Eugénio de Andrade, um dos mais importantes nomes da poesia portuguesa e vencedor do Prémio Camões em 2001. De nome verdadeiro, José Fontinhas, nasceu no Fundão em 1923, tendo morrido no Porto 82 anos depois.

Recordamo-lo hoje com alguns dos poemas da sua autoria que temos vindo a partilhar consigo, invocando a sua urgência em inventar alegria como bálsamo para os dias que correm.


Urgentemente

É urgente o amor
É urgente um barco no mar

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

(in Até Amanhã, 1951)

 

Um pequeno sismo

Há um pequeno sismo em qualquer parte
ao dizeres o meu nome.
Elevas-me à altura da tua boca
lentamente
para não me desfolhares.
Tremo como se tivera
quinze anos e toda a terra
fosse leve.
Ó indizível primavera.

(in Os Sulcos da Sede, 2001)

 

O Sorriso

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

(in O Outro Nome da Terra, 1988)

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