Samuel Barclay Beckett foi um escritor, dramaturgo e poeta irlandês. Nasceu em Foxrock, um subúrbio de Dublin, a 13 de abril de 1906. Foi criado segundo os princípios da igreja anglicana, mas mais tarde assumir-se-ia como agnóstico, o que acabou por se refletir bastante na sua escrita. Em 1969 é laureado com o Prémio Nobel da Literatura e viria a falecer a 22 de dezembro de 1989, com problemas respiratórios. O seu primeiro trabalho publicado foi o ensaio critico “Dante… Bruno. Vico… Joyce”, em 1929, que defende os métodos e trabalhos de James Joyce, de quem Beckett era amigo próximo. Estreou-se como poeta no ano seguinte, com a publicação de Whoroscope, um monólogo protagonizado pelo filósofo francês René Descartes.
Integrou a Resistência francesa no combate contra a invasão nazi, durante a Segunda Guerra Mundial e, após o fim da guerra, esteve ao serviço da Cruz Vermelha em Paris. Foi durante esse período que começou a escrever em francês. Exemplo disso são algumas das suas peças de teatro mais famosas, como por exemplo En Attendant Godot, em 1952. Em 2011, foi publicado um conjunto de cartas que Beckett escreveu, entre 1941 e 1956, e que revelaram alguns dos livros que o autor tinha na sua mesa de cabeceira. Compilamos uma lista com sete deles.
A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne
Phileas Fogg, um gentleman inglês, aposta com os membros do seu clube, o Reform Club, que será capaz de dar a volta à Terra em 80 dias. Decidido a vencer a aposta, parte imediatamente com o seu criado Jean, um desenvolto parisiense conhecido por Passepartout. “Uma leitura animada”, segundo Beckett.
O Castelo, de Franz Kafka
Na sua inconfundível escrita sem fôlego, Franz Kafka grava a força de uma narrativa que se debruça sobre a espera, a frustração e a impotência perante um mundo turvo e intransponível. Samuel Beckett não conseguiu terminar esta obra, “senti que estava em casa, demasiado até. Talvez tenha sido isso que me impediu de continuar a ler. O caso ficou encerrado ali mesmo”.
À Espera no Centeio, de J. D. Salinger
A história de um jovem nova-iorquino, expulso da escola três dias antes das férias de Natal e que não tem coragem de regressar a casa e enfrentar os pais. Por isso passa esses dias deambulando pela cidade, fazendo descobertas decisivas, vivendo contradições, alegrias e temores. Um dos preferidos de Beckett: “gostei imenso, de facto, mais do que alguma coisa durante muito tempo.”
A Casa Torta, de Agatha Christie
A numerosa família Leonides vive numa estranha mansão nos subúrbios de Londres, sob o olhar protector, e um tanto controlador, do patriarca Aristide Leonides. Quando o velho milionário é assassinado, deixa para trás uma longa lista de suspeitos, encabeçada pela própria viuva, cinquenta anos mais nova do que ele. Samuel Beckett disse encontrar “uma [Agatha] Christie muito cansada”.
O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo
Numa Paris medieval, a beleza da jovem Esmeralda desperta paixões nos corações de todos, incluindo mendigos, guardas e arquidiáconos. A Catedral de Notre-Dame serve como palco de uma luta entre as diferentes classes sociais, que culmina no rapto de Esmeralda e na loucura do corcunda Quasimodo.
O Estrangeiro, de Albert Camus
Um romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, onde se joga o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência. Publicado originalmente em 1942, este foi o primeiro romance de Albert Camus. Uma leitura obrigatória segundo Beckett, "experimenta e lê, acho que é muito importante".
A Condição Humana, de André Malraux
Publicado em 1933, e nesse mesmo ano distinguido com o Prémio Goncourt, este livro é um documento incontornável de reflexão sobre o indivíduo, sobre o confronto entre ética pessoal e convicção ideológica, sobre traição e morte, sobre amor e liberdade.
Fonte: Open Culture