5 curiosidades sobre Italo Calvino

Por: Beatriz Sertório a 2020-05-21 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Italo Calvino

Italo Calvino

Italo Calvino nasceu nos arredores de Havana (Cuba), a 15 de outubro de 1923. Passou praticamente toda a sua vida em Itália, excetuando os treze anos em que viveu em Paris. Faleceu em Siena, a 19 de setembro de 1985. Calvino estudou em San Remo até aos 20 anos, ingressando então na Resistência contra o fascismo e a ocupação nazi, depois de aderir ao Partido Comunista, que abandonou em 1957. Terminada a Segunda Guerra Mundial, instalou-se em Turim, começando a trabalhar na Einaudi, que depressa se transformou numa das principais editoras italianas do pós-guerra. Já trabalhava na Einaudi (onde desempenhou um importantíssimo papel como consultor literário) quando concluiu a sua licenciatura em Letras. Com O Atalho dos Ninhos de Aranha (1947) deu início a uma surpreendente carreira literária, que viria a consagrá-lo como um dos maiores escritores italianos do século XX.

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Quando faleceu, em 1985, Italo Calvino era o autor italiano contemporâneo mais traduzido em todo o mundo. Mais de três décadas depois, continua a ser considerado um dos mais influentes autores do século XX, reconhecido, sobretudo, por obras como As Cidades Invisíveis ou Se Numa Noite de Inverno Um Viajante. Embora tenha nascido em Havana (Cuba), foi em Itália que passou praticamente toda a sua vida, tendo obtido a nacionalidade italiana e sido sepultado no cemitério do Castiglione della Pescaia, na região da Toscana. 

Numa altura em que Itália vive o rescaldo de uma das maiores crises de saúde e económicas que já atravessou, relembramos um dos seus maiores pensadores, e a capacidade única dos contadores de histórias de exprimir o inexprimível.

 

A arte de escrever histórias consiste em conseguir retirar do pouco que se compreendeu da vida tudo o resto; porém, acabada a página, a vida renova-se e damo-nos conta de que o que sabíamos era muito pouco.


1. A "OVELHA NEGRA" DA FAMÍLIA

Filho de um agrónomo e botânico (o seu pai, Mario Calvino) e de uma botânica e professora universitária (a mãe, Giuliana Luigia Evelina "Eva" Mameli), Italo considerava que o seu interesse precoce por histórias fazia dele a ovelha negra de uma família que prestigiava mais as Ciências do que as Letras. O primeiro livro que despertou em si esta paixão foi O Livro da Selva de Rudyard Kupling, contudo, interessava-lhe, igualmente, a poesia, o teatro e outras artes, como o desenho. Este sentimento de alienamento perante a família levou-o a integrar a universidade de Agronomia onde o seu pai trabalhou. Contudo, mais tarde, acabou por trocar as ciências agrárias pela faculdade de Artes.

 

2. COMUNISTA E ANTICONFORMISTA

Por influência da família e das leituras feitas na faculdade, tais como Estado e Revolução de Vladimir Lenin, com 20 anos, Calvino ingressou na Resistência contra o fascismo e a ocupação nazi, e aderiu ao Partido Comunista. Embora o tenha abandonado em 1957, desiludido com a invasão soviética da Hungria, o autor manteve a sua crença na ideologia comunista até ao fim. Durante uma visita ao seu local de nascimento, Havana, chegou mesmo a conhecer Che Guevera, tendo escrito, posteriormente, um tributo ao revolucionário guerrilheiro.

Já no que diz respeito a crenças religiosas, a família Calvino recusou-se a educar os seus filhos segundo a fé cristã ou sob o espectro de qualquer outra religião. Embora tenha andado numa escola Protestante, Italo estava dispensado das aulas de religião, o que fazia com que tivesse, frequentemente, de justificar o seu anticonformismo a professores e colegas. O facto de ter experienciado discriminação por não partilhar as convicções da maioria, fez com que o autor se tornasse extremamente tolerante em relação às opiniões de outros, especialmente no que diz respeito à religião. 

 

 

Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.

 

3. O SUCESSO E O MEDO DE FALHAR

Terminada a Segunda Guerra Mundial, tendo concluído o mestrado em Letras com uma tese sobre o autor britânico Joseph Conrad, Italo começou a escrever contos nos seus tempos livres. Ao mesmo tempo que iniciava a sua carreira literária, encontrou trabalho na Einaudi, uma das principais editoras italianas do pós-guerra. Durante o seu período na editora, conviveu de perto com autores como Cesare PaveseNatalia Ginzburg ou Norberto Bobbio. Apenas dois anos depois de iniciar a sua atividade, publicou O Atalho dos Ninhos de Aranha (1947), o seu primeiro romance, que ganhou o Prémio Riccione e vendeu mais de 5 mil cópias, um número surpreendentemente elevado para a época.

A este seguiu-se uma coleção de histórias baseadas nas suas experiências de guerra que, apesar de terem sido bem recebidas pelos leitores, aumentaram o receio de Calvino de não ser capaz de escrever um segundo romance digno de reconhecimento. Para lidar com a pressão que colocara sob os seus próprios ombros, explica o autor: "Em vez de me obrigar a escrever o livro que devia escrever, ou o romance que os outros esperavam de mim, conjurei o livro que eu próprio gostaria de ter lido, o tipo de livro de um escritor desconhecido, de outra época e outro país, descoberto num sótão". O resultado foi O Visconde Cortado ao Meio, escrito em apenas trinta dias.

 

4. UM NOME CONHECIDO ATÉ EM MERCÚRIO

O legado deixado por Italo Calvino estende-se a outros campos para além do da literatura e muito para além das fronteiras de Itália. Um desses exemplos é o facto de uma escola, de currículo italiano, na Rússia ter adotado o seu nome (Scuola Italiana Italo Calvino). Outro é o prémio literário Italo Calvino, atribuído anualmente pelo Salt Hill Journal e a Universidade de Louisville (EUA) a "uma obra de ficção escrita no estilo fabulista experimental" do autor italiano. Contudo, os exemplos mais curiosos são a atribuição do seu apelido a uma cratera no planeta Mercúrio, ou a nomeação de um asteroide como 22370 Italocalvino, associando-o assim, eternamente, às Ciências de que o autor sempre se sentiu distante.

 

 

5. PROPOSTAS PARA O PRÓXIMO MILÉNIO

Durante o verão de 1985, Calvino preparou uma série de palestras sobre literatura para apresentar na Universidade de Harvard no início do ano letivo. Inesperadamente, a 6 de setembro, o autor foi admitido no Hospital de Santa Maria della Scalla, em Siena, onde acabou por morrer, com 61 anos, devido a uma hemorragia cerebral. As palestras que havia preparado foram publicados em livro postumamente, com o título Seis Propostas para o Próximo Milénio. Nelas, Italo Calvino reflete sobre os valores da literatura, que considerava importantes para o próximo milénio. São eles a leveza, a rapidez, a exatidão, a visibilidade, a multiplicidade e a consistência. Contudo, a palestra sobre este último nunca chegou a ser terminada.

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