Joana Sousa - a filósofa que coleciona perguntas

Por: Marisa Sousa a 2020-07-15

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Nada Será como Dante | A literatura em voz alta

“Isto podia ser um talk show, mas tinha muito menos imaginação.” Teresa Paixão, diretora da RTP2, não queria um programa sobre livros; queria um programa de leitura, de texto, queria que se lesse na televisão: “Era a única coisa que eu queria — era que se ouvisse ler, que se visse gente a ler.” O título, sugestão da Filipa Leal (que conduz o programa, juntamente com Pedro Lamares), veio marcar a diferença em relação ao seu antecessor, o Literatura Aqui (vencedor do Prémio para Melhor Programa de Entretenimento, atribuído pela SPA, em 2017). Às terças-feiras à noite, a literatura anda à solta na RTP2, nas bocas de quem a sabe de cor. Porque Nada Será Como Dante. 

Enfrentar o medo com elegância poética

Numa entrevista ao Correio Braziliense, em abril, Mia Couto, biólogo e poeta moçambicano, quando questionado sobre o espaço da poesia em tempos de incerteza e sobre se o medo poderia ser enfrentado com 'elegância poética', afirmou que a poesia poderia ser boa aliada em tempos de pandemia, acrescentando que, se esta ”constituir uma visão alternativa do mundo, e não apenas uma forma de arte, então ela terá poderes para enfrentar este mundo”. “Às vezes, tudo o que resta é a palavra”, concluiu. E foi com palavras e poesia que muitos quiseram vestir os dias em que, confinados, assistiam ao medo e à morte a fazerem manchetes nas televisões — a fazer lembrar os seres descritos por Platão, na sua alegoria da caverna, que vislumbravam apenas uma ténue sombra da realidade projetada nas suas paredes. Foi a alimentar os sonhos a poesia (“Ó subalimentados do sonho! A poesia é para comer.”, Natália Correia) que muitas esperas se tornaram suportáveis porque, acreditamos, tal como Juan Ramón Jimenez, que “Apoesia, como deus, como o amor, é só fé.”

Diários da peste | Como a literatura resistiu ao confinamento

Nos últimos meses fomos engolidos por palavras mastigadas, factos e estatísticas, boletins diários de percentagens e números. E, perante a precisão científica destas palavras, ansiamos por outras, menos transparentes, que falem das coisas que a ciência não pode explicar. Assim se escrevem os Diários da Peste.

“Ainda não sei bem o que vou ser quando for crescida!”, responde, desarmando-nos, quando lhe perguntamos o que queria ser quando crescesse. Conhecemos a Joana no dia em que reunimos para delinear as primeiras Oficinas de Filosofia para crianças, que viríamos mais tarde a realizar na livraria Bertrand do Chiado. Rapidamente percebemos que não sairíamos incólumes do contacto com a sua energia criativa e com a forma desempoeirada com que fala da filosofia. O contágio foi inevitável. A filosofia está viva e recomenda-se.


Licenciada em Filosofia e mestre em Filosofia para Crianças, teve o primeiro contacto com a filosofia no secundário e sentiu-se arrebatada pelo amor à sabedoria. “E aqui estou eu, a filosofar com miúdos e graúdos nos jardins de infância ou nos cafés filosóficos.” Depois das Oficinas, seguiram-se os Cafés Filosóficos, no Café Bertrand do Chiado, em que tudo começa com uma pergunta, seguida de uma proposta de exercício de pensamento crítico. De sessão para sessão, passamos a ter público fiel. “É natural que, ao princípio, os participantes sintam algum desconforto, tal como acontece no primeiro dia do ginásio; só que aqui são os músculos do pensamento que vão sentir-se incomodados. Só com a persistência e a insistência será possível superar este desconforto, focando-nos no objetivo final: um pensamento flexível, resistente, adaptável, capaz de traduzir ideias para palavras, de defender uma posição e/ou de mudar de ideias”, esclarece.

 

 

"Os cafés filosóficos permitem-me encontrar 'poetas à solta', como diria Agostinho da Silva, ou seja, pessoas com muita vontade de criar, de pensar de novo, de se espantar."


A colecionadora de perguntas revela-nos que a sua pergunta preferida é “O que é uma pergunta?”. “Uso-a muitas vezes e foi a pergunta queme acompanhou na dissertação de mestrado de Filosofia para Crianças.” As suas palavras chegam-nos sempre com um enorme sorriso nos lábios. Apanha-nos na esquina das quase-certezas. De todos os filósofos, garante, Wittgenstein teria boas hipóteses de lhe roubar o coração: “Tem muito jeito para palavras e jogos de linguagem.”

Sonhos por cumprir? “Uma escola de Filosofia, ao estilo da academia de Platão. Onde podemos caminhar e filosofar, entre jardins ou hortas. Onde todos podem entrar para desfrutar do pensamento, independentemente da idade e do currículo académico. A única condição para entrar é ser capaz de se espantar!”.

 

CLUBE DAS PERGUNTAS


"É uma ideia recente que me surgiu por sentir que há por aí mais pessoas que, como eu, gostam de colecionar perguntas. Pensei na ideia de um clube, à imagem dos clubes de leitura. Aqui, em vez de termos um livro para ler individualmente e depois partilhar em grupo, temos um desafi o filosófico que irá gerar perguntas. Acontece, para já, de forma online."

 

#FILOSOFIAAOVIVO


"Foi uma daquelas ideias que tive ao adormecer. Tenho um caderno na mesa de cabeceira que diz na capa “Ideas I get in the middle of the night”, já a pensar nestas coisas. Vi as minhas oficinas de filosofia, no jardim de infância, suspensas devido à pandemia e pensei: e se eu criasse conteúdos para esse público ficar a conhecer um bocadinho mais de filosofia? Os lives do instagram tornaram-se algo comum e decidi experimentar essa via, bem como os live áudio no twitter. No meio da imediatidade das redes sociais, a #FilosofiaAoVivo promove o parar para pensar."

 

"Há muitos anos que falo da prática da filosofia como num ginásio. Penso, logo fitness!"

 

“Há muitos anos que falo no trabalho da filosofia, sobretudo da filosofia para crianças e um ginásio para os músculos do pensamento. Ao longo destes anos de prática, vejo que há um maior interesse em torno da filosofia, pois esta tem vindo a 'invadir' a praça pública, com os cafés filosóficos, por exemplo. Tem havido também muitas publicações de filósofos dedicados a partilhar a filosofia com quem se interessa pelo “jogo" do pensamento. Filosofar é muito sexy: basta olhar para o bigode do Nietzsche para nos deixarmos seduzir!“

 

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