Anatomia de um Génio

Por: Marisa Sousa a 2023-06-13 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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Pessoa. Uma Biografia
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1184 páginas, 360 mil palavras. Resultado de treze anos de trabalho. Pessoa. Uma Biografia (Quetzal Editores), de Richard Zenith, foi um dos acontecimentos literários de 2021. Nos EUA, foi considerada “uma das maiores biografias do século” e integrou a lista dos finalistas do Pulitzer, em 2022, na categoria Biografias.


Partilhamos alguns factos que constroem, anatomicamente, um dos grandes génios da literatura: Fernando Pessoa.

Abriu uma tipografia, a Ibis, com a herança da avó. Pretendia publicar dois jornais republicanos, para incentivar a abolição da monarquia.
 

Os cafés, que frequentava diariamente, funcionavam como escritório. Era aí que se encontrava com pessoas, escrevia, lia. Existem muitos escritos dele em papel timbrado de cafés como A Brasileira. Como estava sempre endividado, os cafés serviam também para pedir dinheiro aos amigos.
 

Criou mais de uma centena de autores fictícios, em nome dos quais escreveu ou planeou escrever qualquer coisa. Identificaram-se, pelo menos, 47 identidades, entre as quais se destacam os três heterónimos plenamente desenvolvidos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Maria José, uma corcunda patética a morrer de tuberculose, é o seu único pseudónimo feminino. Numa carta endereçada a um poeta e diretor de revista, o poeta afirmava que o seu “primeiro heterónimo” fora Chevalier de Pas, um cavaleiro imaginário sob cujo nome escreveu cartas dirigidas a si próprio quando tinha apenas seis anos.
 

Mensagem, composto por quarenta e quatro poemas, foi a única obra publicada em vida; no entanto, se dependesse apenas de Pessoa, nunca o teria publicado, pela mesma razão por que nunca publicou O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, coletâneas de poesia de Álvaro de Campos e de odes de Ricardo Reis: porque estava envolvido em dezenas de projetos literários em simultâneo e não queria parar.
 

Morreu aos 47 anos, em Lisboa, no Hospital de São Luís dos Franceses. As suas últimas palavras foram escritas a lápis, em inglês, na véspera da sua morte: I know not what tomorrow will bring (Não sei o que o amanhã trará). O registo civil menciona “obstrução intestinal” como causa imediata de morte
 

“Quando o sempre esquivo Fernando Pessoa morreu no outono de 1935, em Lisboa, poucas pessoas em Portugal compreenderam que se tinha perdido um escritor extraordinário e ninguém teve a menor noção daquilo que o mundo iria ganhar: um dos mais valiosos e estranhos corpos de literatura produzidos no século xx.”

— Richard Zenith, in Pessoa. Uma Biografia

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