Adeus, futuro

Por: Marisa Sousa a 2021-04-28

Maria do Rosário Pedreira

Maria do Rosário Pedreira

Maria do Rosário Pedreira (Lisboa, 1959) tem a sua obra poética coligida em Poesia Reunida, que a Quetzal publicou em 2012 (nomeadamente A Casa e o Cheiro dos Livros, 1996; O Canto do Vento nos Ciprestes, 2001; Nenhum Nome Depois, 2014). Além de poeta, romancista (a de Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu), autora de literatura juvenil e um dos nomes mais importantes da escrita de fado – Maria do Rosário Pedreira é também uma referência de grande qualidade para a edição portuguesa contemporânea, sendo editora na Leya. Mantém o blogue As Horas Extraordinárias.

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Isto é a democracia

Em 2005, o escritor David Foster Wallace iniciou o discurso que dirigiu aos finalistas de uma instituição universitária no Ohio, intitulado “Isto é a água”, com a seguinte parábola: “Dois jovens peixes estão a nadar juntos e cruzam-se com um peixe mais velho nadando em sentido contrário, que lhes acena e pergunta: — 'Bom dia, rapazes. Que tal está a água?' Os dois peixes jovens nadam um pouco mais até que se entreolham e um deles diz: 'Que diabo é a água?'”1. Ser-me-ia fácil gracejar, substituir os jovens peixes por ministros ou deputados… mas não pretendo aqui passar por peixe velho ou por peixe sábio — estou, ainda assim, mais distante deste que daquele. O sentido da história dos peixes, como esclarece Wallace, é este: as realidades mais óbvias e importantes são frequentemente mais difíceis de descortinar e debater. Acredito que o mesmo se passa com a cultura e, sobretudo, com a nossa democracia.

As crónicas de Maria do Rosário Pedreira são momentos de observação do quotidiano de quem gosta de livros - o seu público dominante. E, a partir dos livros, um observatório do mundo. Além de leitora, autora e editora, manteve durante anos uma crónica semanal no Diário de Notícias, bem como um blogue intitulado As Horas Extraordinárias, ainda ativo e de grande sucesso na internet. Adeus, Futuro, recentemente publicado pela Quetzal, reúne os seus textos, quase todos publicados originalmente no Diário de Notícias, sobre essa vida extraordinária feita de tudo o que vem nos livros sem, no entanto, falar deles. Devoramos as crónicas e partilhamos consigo cinco bons motivos para que o descubra com urgência.


1. OS MEUS PAIS QUASE NUNCA CANTAVAM (o meu pai até dizia que só conhecia duas músicas: o hino e as outras); mas, em compensação, sabiam de cor dezenas de textos – e é, portanto, plausível que me tenham embalado com poemas, mesmo quando eu não passava de um embrião. O bicho da literatura mordeu-me cedo e, por isso, aprendi a ler e a escrever com uma febre que não pus em mais nada na vida (…).”

 

2. “Já eu era estudante universitária, e de Letras, quando tive de responder a um apertado inquérito sobre as minhas leituras numa livraria-galeria das Avenidas Novas para conseguir levar para casa a maravilhosa Comunidade, de Luiz Pacheco, ainda numa edição agrafada e em mau papel. Ao que parece, era o último exemplar que existia na loja, e o livreiro decidira que só o venderia a quem o merecesse (ufa!).”

 

3.NO TEMPO EM QUE SE PUNHA PIMENTA NA LÍNGUA dos meninos que diziam asneiras, estudar Gil Vicente era uma autêntica lufada de ar fresco: ultrapassados os obstáculos iniciais daquela língua com borrifos de castelhano, sabia bem poder ler em voz alta numa aula uma palavra como «caganeira» e soltar outras tantas inconveniências pela voz das personagens.”

 

4. “De tal modo me incutiram desde cedo a importância de entregar um texto sem mácula que, quando o meu primeiro namorado me mandou de umas férias em Vidago um postal que dizia «Chegá-mos bem» e mais duas calinadas imperdoáveis, achei melhor rifá-lo e, para que percebesse porquê, devolvi-lhe o postal para as termas com os erros sublinhados a vermelho.»

 

5. Em 2019, ano em que a feira [do Livro] era anti-plástico, chegou-se ao cúmulo de, em alguns pavilhões, se venderem mais sacos de pano com frases de escritores do que livros desses mesmos escritores; e até ouvi uma rapariga, com um exemplar de O Tatuador de Auschwitz na mão, comentar que nunca na vida pensara que, nos campos de concentração, os nazis deixassem os judeus fazer tatuagens.”

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