6 Conselhos de George Orwell para Escrever Melhor

Por: Beatriz Sertório a 2020-01-27 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

George Orwell

George Orwell

George Orwell, pseudónimo do escritor Eric Arthur Blair, nasceu na cidade de Motihari, na então Índia britânica, a 25 de junho de 1903, tendo-se mudado para Inglaterra com a família, ainda durante a infância. Escritor e jornalista, Orwell é uma das mais influentes figuras da literatura do século xx. Defensor incondicional da liberdade humana e acérrimo opositor do totalitarismo, inscreve-se no panorama literário com as obras Dias Birmaneses (1934) e Homenagem à Catalunha (1938). Mas será, sem dúvida, com Quinta dos Animais (1945) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1949), duas narrativas com uma atualidade assombrosa, que o autor alcança o reconhecimento internacional. Morreu de tuberculose, em Londres, a 21 de janeiro de 1950.

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Embora tenha nascido, em 1903, como  Eric Arthur Blair , foi com o pseudónimo  George Orwell   que ficou conhecido como um dos mais importantes autores do século XX. A sua obra-prima,  1984 ,  foi escolhida pela revista  Time  como um dos 100 melhores romances da língua inglesa de 1923 a 2005, e,  70 anos depois, a sua publicação voltou ao top de vendas  por espelhar muitas das caraterísticas da atual política dos EUA. Apesar de ser mais reconhecido pelos seus romances (para além de  1984 , escreveu mais cinco), a sua obra é composta maioritariamente por ensaios.

 

Num ensaio intitulado  Porque escrevo? ,  Orwell defende que existem apenas 4 motivos para escrever: egoísmo puro, entusiasmo estético, impulso histórico e propósito político. Apesar de os seus textos serem todos marcadamente políticos (chegou mesmo a afirmar, nesse mesmo ensaio, que cada linha que escreveu desde 1936 foi escrita, direta ou indiretamente, contra o totalitarismo), nem por isso descurava o sentido estético da sua prosa. Abaixo listamos 6 regras para escrever melhor, que Orwell apresenta neste ensaio .

 

"Escrever um livro é uma luta horrível e extenuante, como uma longa crise de uma doença dolorosa. Nunca nos entregaríamos a tal coisa se não fôssemos conduzidos por um qualquer demónio ao qual não podemos resistir nem sequer compreender."

 


 

1. NUNCA USE UMA METÁFORA/COMPARAÇÃO CLICHÉ OU OUTRA FRASE FEITA

 

Embora seja fácil recorrer àquelas metáforas e frases feitas, que todos estamos acostumados a ouvir, Orwell defende que estas devem ser evitadas. Na sua opinião, o facto de serem  comuns impede que haja uma resposta emocional da parte do leitor. Deste modo, encoraja à criação de novas imagens que, pela novidade, provoquem um maior impacto no leitor.

 

2. NUNCA USE UMA PALAVRA LONGA SE PODE USAR UMA CURTA QUE SIGNIFIQUE O MESMO

Apesar de haver quem pense que utilizar palavras grandes nos faz parecer mais eloquentes, Orwell é da opinião que podem fazer um escritor soar pretensioso ou até mesmo arrogante. Partilha, aliás, o gosto de  Ernest Hemingway  pelas palavras simples, sendo que o autor de  Por Quem os Sinos Dobram quando foi criticado por  William Faulkner pela sua escolha limitada de palavras, respondeu: " Pobre Faulkner. Será que ele pensa mesmo que as grandes emoções vêm das grandes palavras? Ele acha que eu não conheço as palavras de dez dólares. Conheço-as bem. Mas há palavras mais velhas e mais simples e melhores, e são essas que eu uso."

 

 

3. SEMPRE QUE FOR POSSÍVEL ELIMINAR UMA PALAVRA, ELIMINE

Dizia  Stephen King  que o segundo rascunho é igual ao primeiro rascunho menos 10%. À semelhança do  rei do terror , também Orwell partilha a convição de que menos é sempre mais e, por essa razão, é fundamental editar o texto quantas vezes forem necessárias e cortar tudo o que estiver a mais. Lembre-se das palavras de King:  “Kill your darlings, kill your darlings, even when it breaks your egocentric little scribbler’s heart, kill your darlings.”

 

 

4. NUNCA USE A VOZ PASSIVA QUANDO PUDER USAR A ATIVA

Este é um conselho partilhado por vários escritores. Sendo mais direta, a voz ativa simplifica a estrutura do texto e torna-o mais claro. Lembre-se disso da próxima vez que for escrever uma frase como “ O livro foi lido pelo João ” e altere para “ O João leu o livro .”

 

5. NUNCA UTILIZE UMA EXPRESSÃO ESTRANGEIRA, UMA PALAVRA CIENTÍFICA OU UM TERMO DE JARGÃO SE HOUVER UMA PALAVRA EQUIVALENTE DE USO COMUM

Continuando a lógica de tornar o texto o mais claro possível, Orwell aconselha deixar o jargão e os estrangeirismos de parte sempre que houver a possibilidade de utilizar uma palavra de uso comum. Embora possa ser mais complicado seguir este conselho quando se trata de um texto de natureza mais especializada, a orientação essencial que o escritor deve reter é a de que o texto possa ser facilmente compreendido por qualquer um.

 

6. DESOBEDEÇA A QUALQUER UMA DAS REGRAS ANTERIORES ANTES DE ESCREVER ALGO QUE SOE ABSURDO

Recorde a famosa máxima de  Pablo Picasso “Aprende as regras como um profissional, para que possas quebrá-las como um artista” . No fundo, estes conselhos de George Orwell devem ser orientações a ter em conta quando escreve e não regras que deve, obrigatoriamente, seguir à risca. Deve ter sempre em conta o contexto daquilo que está a escrever e, acima de tudo, utilizar o senso comum para perceber quando estas regras são aplicáveis ou não. 

 

 

"If people cannot write well, they cannot think well, and if they cannot think well, others will do their thinking for them."

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