5 curiosidades sobre Simone de Beauvoir

Por: Beatriz Sertório a 2022-01-08 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir (1908-1986) nasceu em Paris, no seio de uma família burguesa, e era a mais velha de duas irmãs. Estudou Filosofia na Sorbonne, onde conheceu Sartre, companheiro de toda a vida e com quem viveu uma relação célebre pelos seus padrões de abertura e honestidade. No final da Segunda Guerra Mundial, editou a revista política Les Temps Modernes, fundada por Sartre e por Merleau-Ponty, entre outros. Foi ativista no movimento francês de emancipação das mulheres, nos anos de 1970, e serviu de modelo e de influência aos movimentos feministas posteriores. Simone de Beauvoir ganhou o Prémio Goncourt em 1954 com Os Mandarins, cujo herói se inspira na figura de Nelson Algren, com quem manteve um longo e intenso romance.
Autora de uma vasta obra literária, filosófica e autobiográfica, Simone de Beauvoir publicou, em 1949, O Segundo Sexo, texto basilar do feminismo contemporâneo.

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Conhecida como ícone feminista, Simone de Beauvoir foi escritora, ativista, professora, socióloga e filósofa (apesar de nunca se ter considerado como tal). Tendo escrito sobre os mais variados assuntos, desde romances a ensaios, é pelo livro O Segundo Sexo, um verdadeiro tratado sobre a condição da mulher ao longo da História, que é mais conhecida. Neste, escreveu uma das suas ideias mais célebres, marcada pela sua teoria existencialista de que a existência antecede a essência: Não se nasce mulher, torna-se mulher.

E é a mulher em que Simone se tornou que celebramos hoje, dia em que se assinalam 112 anos desde o seu nascimento, com seis curiosidades sobre a sua vida e obra.


1. UMA MENTE BRILHANTE

Desde a sua infância, passada na cidade onde viveu toda a sua vida - Paris -, que o brilhantismo de Simone se tornou evidente para as pessoas à sua volta. O seu pai, reconhecendo a sua inteligência acima da média das raparigas da sua idade, costumava dizer, com orgulho: "A Simone pensa como um homem!". Tendo estudado Matemática no Instituto Católico da capital francesa, e Línguas e Literaturas no Institut Saint-Marie, foi, no entanto, em Filosofia que se licenciou, pela Universidade de Sorbonne, aos 17 anos. Aí, defendeu uma tese sobre a Filosofia de Leibniz e tornou-se a pessoa mais jovem de sempre a passar a "agrégation" em Filosofia, um exame de imensa dificuldade e prestígio que era conduzido entre os estudantes franceses de uma determinada disciplina, a nível nacional.

Foi também aí que conheceu Jean-Paul Sartre, autor, filósofo e parceiro de vida, que foi o único estudante de filosofia a ter uma classificação superior à de Simone, nesse mesmo exame.

 

2. A RELAÇÃO INCONVENCIONAL COM JEAN-PAUL SARTRE

Apesar de nunca se terem casado ou vivido juntos, Simone e Jean-Paul mantiveram uma relação que durou mais de 50 anos (até à morte de Sartre em 1980), da qual resultou a adoção de uma filha. Fazendo ambos parte da elite intelectual francesa da altura, a sua relação era constantemente alvo de críticas e julgamento, sobretudo pelo facto de ambos terem decidido manter uma relação aberta. A controvérsia tornou-se ainda maior quando se tornaram conhecidas as relações amorosas que Simone desenvolvera com algumas das suas alunas, o que culminou na suspensão da sua licença de ensino em 1943. 

Numa palestra em Harvard, para a qual Simone e outro académico tinham sido convidados, este último notou o "duplo padrão" existente na forma como a sociedade tratava Simone e Jean-Paul, criticando a audiência pelo facto de todas as questões direcionadas a Sartre serem sobre a obra dele, enquanto as questões colocadas a Simone eram maioritariamente sobre a sua vida pessoal e amorosa. Sobre ela, afirmou Sartre: "A coisa maravilhosa sobre Simone de Beauvoir é que ela tem a inteligência de um homem (...) e a sensibilidade de uma mulher".

 

 

3. A MULHER A QUEM "AS MULHERES DEVEM TUDO"

Tendo durante toda a sua vida sido rotulada pelos outros como tendo "a inteligência de um homem", talvez pareça natural que Simone tenha sido uma das primeiras académicas a escrever sobre e a desenvolver a teoria feminista. Publicada em 1949, uma das suas obras mais importantes, O Segundo Sexo, na qual debateu temas como estereótipos de género, o patriarcado e a opressão das mulheres ao longo da História, foi um contributo precioso para o crescimento do feminismo como movimento social em França e no mundo.

Algumas das ideias que desenvolveu nesta obra, como a sua convicção acérrima da necessidade de destruir todos os estereótipos de género, de modo a alcançar a igualdade entre sexos, foram tão fundamentais que quando morreu, em 1986, nos cabeçalhos de jornais franceses da altura, podia ler-se: "Mulheres, vocês devem-lhe tudo!"

 

4. AS IDEIAS POLÍTICAS

Para além do amor à literatura e à filosofia, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre partilhavam ainda a ideologia Marxista. Contudo, embora Simone não condenasse totalmente as convicções de Estaline, era profundamente crítica da brutalidade e do autoritarismo conduzidos pela União Soviética. O que tanto ela como Sartre defendiam era um Marxismo mais liberal no qual, embora o Estado controlasse toda a economia e a riqueza, esta fosse dividida de forma igualitária pelo povo, salvaguardando as liberdades que consideravam indispensáveis, tais como a liberdade de expressão ou o direito a um julgamento livre. 

Em 1906, numa viagem do casal a Havana, Cuba, conheceram o revolucionário Che Guevara, com quem passaram longas horas a conversar, num encontro que foi alvo de muita especulação e críticas por parte da sociedade francesa.

 

 

5. ADEUS A SARTRE

Embora seja quase impossível falar de Simone de Beauvoir sem falar em Jean-Paul Sartre, e vice-versa - os dois foram enterrados juntos no cemitério de Montparnasse e, anos antes, Simone havia escrito A Cerimónia do adeus sobre os últimos dias de vida de Sartre -, a verdade é que, sozinha, Simone consolidou a sua reputação não só como escritora de ensaios, sobre os mais variados temas, mas também como romancista. Tendo publicado 20 romances durante a sua vida, foi com Os Mandarins, publicado em 1954, que ganhou o maior prémio literário da França, o Prémio Goncourt.

Tendo como cenário o final da Segunda Guerra Mundial, o livro acompanha a vida pessoal dos filósofos e amigos do círculo íntimo de Sartre e De Beauvoir, incluindo o seu relacionamento com o escritor estado-unidense Nelson Algren, a quem o livro foi dedicado.

 

Assista a uma entrevista, feita pela Radio-Canada, a Simone de Beauvoir, na qual a autora discorre sobre temas como o existencialismo, a religião, o casamento ou a poligamia.

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