Cabo-verdianos que vivem há muito em Portugal e neto de cabo-verdianos que nunca conheceram Portugal. Também é bisneto de holandeses que mal conheceram Portugal e de africanos que muito ouviram falar de Portugal. Vive em Lisboa, mas não é considerado alfacinha. Terminou a licenciatura na faculdade e vai trabalhar num call center, com outros negros e brancos, pobres e ricos. Budjurra faz parte de uma minoria que, lentamente, vai sendo cada vez menos minoria. É um preto português, muito português, que, ao longo do livro e das aventuras que relata, levanta questões relativamente a temas como racismo, discriminação, estereótipos, igualdade e humanidade, mas também música, rap, identidade — numa Lisboa morena e colorida que é necessário conhecer: «Posso dizer, sem qualquer orgulho, que sou um homem estranho. Tão estranho como a minha alma. […] E assim como os anos e meses fluem no meu espírito bom e impotente, continuo apenas mais um preto muito português.» Com a sua rara humanidade, Budjurra mostra-nos como se vive por dentro da invisibilidade da comunidade africana, como se lida com as narrativas falsas que a envolvem, como se sobrevive aos preconceitos e ao esquecimento.
Indicado para: combater o racismo, a xenofobia, o preconceito, a ostracização, a hostilidade, a desigualdade e a ignorância; apoiar processos de integração, aculturação e multiculturalismo; amparar sensações de desadequação e sentimentos de revolta ou saudade;
Efeitos secundários: forte experiência de identificação e/ou de alteridade; sentimentos profundos de empatia; amplo exercício de autoexame; disposição para a avaliação honesta de atitudes; reajuste de comportamentos e linguagem/vocabulário;
Posologia: Leitura mínima de quatro capítulos por dia, quando for mais conveniente.