O cenário desta obra é a China dos anos 50 do século passado, um período em que as autoridades procederam ao confinamento de centenas de milhares de pessoas em campos de reeducação e à mobilização dos camponeses para a produção de ferro e aço. Este Grande Salto em Frente decidido pelo Partido Comunista Chinês levou a uma das maiores fomes da humanidade.
Yan Lianke recorre a uma linguagem que alterna a prosa incisiva e as palavras de ordem maoistas com uma narrativa do tipo bíblico, da tradição confuciana e da mitologia grega. O primeiro dos quatro livros é a história de um adolescente ingénuo, encarregado de guardar um campo de reeducação de intelectuais, que acabará por se crucificar num tapete de flores vermelhas.
As vidas abruptamente sacrificadas de milhões de mulheres e homens configuram um drama inspirado em factos reais. Foi por isso que nenhuma editora na China continental se atreveu a imprimir esta obra (saiu em Hong Kong e em Taiwan), apesar de Yan Lianke ter obtido prestigiados prémios na China, o Franz Kafka Prize em 2014, e ter sido finalista do Man Booker International Prize 2013 com Sonho da Aldeia Ding, já publicado nesta editora.
Indicado para: saber mais sobre a China no período maoista; alertar para a manipulação dos factos históricos e os processos de perda coletiva de memória; combater comportamentos promotores de tiranias, genocídios, fome, medo, humilhação, censura, escravidão e amoralidade
Efeitos secundários: sentimentos de horror, náusea e inconformismo; consciência aguda do quanto as circunstâncias extremas mudam valores, atitudes e comportamentos; apreço por regimes democráticos; defesa dos Direitos Humanos e da liberdade de expressão
Posologia: ler ao seu ritmo, respeitando a necessidades de fazer pausas.