Vicent Delmas: "Churchill era um homem profundamente atípico"

Por: Bertrand Livreiros a 2020-05-11

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Comunidade Bertrand | Manta de Histórias (Isabel Caldeira)

Foi em abril de 2019 que demos início à Comunidade Bertrand, procurando unir-nos a quem, como nós, é movido pela paixão pelos livros. Convidámos livrólicos e bloggers de diversos quadrantes a juntarem-se a esta família, dando-lhes um espaço no nosso site e desenvolvendo diversas iniciativas, tendo em vista a promoção da leitura. Isabel Caldeira, responsável pelo blogue Manta de Histórias, foi uma das primeiras a aceitar o nosso desafio.

José Tolentino Mendonça: "Há que não ter medo das perguntas."

Partilhamos consigo a segunda parte da entrevista a José Tolentino Mendonça para a revista Somos Livros. 

José Tolentino Mendonça: "Uma biblioteca é uma jangada que nos vai sobreviver"

Nasceu a 15 de dezembro de 1965, na Madeira, e teve no mar a sua escola do espanto. A escrita começou como um estranhamento e é da Bíblia ("um grande poema”) que nasce o seu amor pela literatura, essa escola de sabedoria. Investido cardeal em finais de 2019, o "Bibliotecário de Deus e dos Homens”, como já foi apelidado, foi eleito pelo Papa Francisco para ser o guardião do mais vasto arquivo do saber, o grande arquivo do Vaticano. Vê na poesia um lugar de inevitabilidades e gosta de citar Beckett ("falhar, falhar mais, falhar melhor”), para sublinhar a importância da arte de falhar, de esculpir, tirar camadas, para cada vez mais chegar ao osso, ao essencial. No seu novo livro, Rezar de Olhos Abertos (Quetzal) defende que a oração, mais do que um assunto privado, é um problema político, um assunto de conversa para todos. José Tolentino Mendonça, o cardeal poeta, no presente indicativo do verbo viver.

Depois da publicação de Lenine, foi a vez de Winston Churchill ser o protagonista da coleção de banda desenhada da Gradiva sobre importantes figuras históricas, intitulada Eles fizeram história. Um dos autores, Vicent Delmas, fala sobre o sucesso desta coleção e os dois volumes dedicados ao estadista britânico e Nobel da Literatura (1953).


Devido à situação em torno do vírus, ouvimos falar muito de liderança. Esse aspecto da vida de Churchill interessou-lhe particularmente quando preparou estes livros de BD? O que o motivou mais?

A liderança está intimamente ligada ao temperamento do político, que deve ser carismático, mas também à sua competência para reagir a uma crise, o que se prende com a sua capacidade de antecipação. Churchill percebeu a ameaça representada pela ascensão de Hitler ao poder na Alemanha antes de todos os outros, o que lhe permitiu estar menos «atordoado» do que outros líderes quando foi necessário reagir. Quando a Glénat/Fayard me propôs fazer uma biografia em banda desenhada de Churchill, eu sabia que se tratava de uma personalidade que tinha desempenhado um papel decisivo durante a Segunda Guerra Mundial, que era o dirigente preferido dos britânicos, um verdadeiro político, truculento, erudito, e com sentido de humor, mas antes de começar o trabalho de documentação desconhecia até que ponto ele era fora do comum. Por exemplo, foi ele que inventou a aviação armada e o tanque, inovações decisivas na Primeira Guerra Mundial. Quando se mudava para o campo de batalha, era sempre com uma banheira, uma caldeira e uma quantidade considerável de champanhe e de Saint-Emilion. Também recebeu o Prémio Nobel de Literatura e pintou mais de 500 quadros. Churchill era um homem profundamente atípico.


Churchill teve uma vida intensa de enorme importância histórica. Como foi o trabalho de «descobrir» este estadista e de «seleccionar» o que seria relevante para os livros?Que perspectiva gostaria de apresentar?


Se a descoberta da personagem foi fascinante, seguidamente era necessário fazer um enorme trabalho de selecção porque, para fazer este retrato biográfico muito rico, eu dispunha apenas de 92 pranchas. Num primeiro momento foi preciso interrogar-me sobre o que era prioritário dizer sobre a personagem. Depois, há determinados acontecimentos que se impõem, como a nomeação de Churchill como primeiro-ministro em Inglaterra no início da Segunda Guerra Mundial, ou a conferência de Ialta com
Roosevelt e Estaline, no final. Outros eventos tornam-se necessários para a compreensão e a fluidez da narrativa. Devemos estar particularmente atentos à dimensão didáctica e divertida dessas sequências mais «utilitárias», para que não sejam simples transições. Uma vez estabelecidos os elementos essenciais da narrativa, procuro introduzir o máximo de histórias deliciosas para encenar a complexidade da personagem, as suas falhas e as suas contradições. O que a equipa e eu próprio desejámos pôr mais em destaque, é que, por vezes, as convicções de um homem podem mudar tudo. Em 1940, Churchill manteve o destino de toda a Europa na palma da mão, talvez mais... Porque, de facto, quando o exército alemão invadiu a Europa e a classe política britânica pretendia negociar a paz com o ditador, à custa da liberdade dos ingleses, Churchill disse que não. Pensou que prefeririam morrer a viver sob o jugo da tirania. Colocou uma primeira pedra na bota de Hitler, até por fim o fazer tropeçar.

 

Churchill é muito conhecido e continua a despertar interesse. Como foi a reacção do público, em França e internacionalmente, a estes títulos?

A receptividade à nossa banda desenhada é muito boa em França e fico feliz por saber que a colecção "Eles Fizeram História" está a ser exportada para outros países, onde se inclui Portugal, a Rússia ou até o Vietname. Mas relativamente a estes dois volumes dedicados a Churchill, devo admitir que fiquei particularmente lisonjeado quando eles foram publicados na Inglaterra, até porque a banda desenhada é um género muito discreto no país. Tomo isso como uma validação do rigor do nosso trabalho, porque os ingleses não gracejam com Sir Winston Churchill.

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