Porque nada há de tão natural no mundo da poesia como o tema do amor, apresentamos-lhe um poema de
Jorge de Sena
, presente numa colectânea de poemas,
366 Poemas que Falam de Amor
, reúnida por
Vasco Graça Moura
.
Glosa à Chegada do Outono
, de Jorge de Sena
O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.