Um rei chamado Martinho e outras histórias hilariantes da História de Portugal

Por: Beatriz Sertório a 2024-11-11

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Sabias que Portugal teve um rei chamado Martinho? Se bem te lembras das lições de História, a maioria dos nossos reis chamavam-se João, Afonso, Sancho, Pedro ou Filipe e na lista de 34 monarcas da História de Portugal não consta nenhum chamado Martinho. Mas houve um rei de Portugal a quem foi dado este nome à nascença. Neste Dia de São Martinho, contamos-te esta e outras histórias divertidas que podes encontrar no livro Histórias Hilariantes da História de Portugal (Booksmile).


Afinal, quem foi o “rei D. Martinho”?

D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, e a sua esposa, D. Mafalda de Saboia, tiveram sete filhos ao todo. O quinto filho, Martinho, recebeu este nome por ter nascido a 11 de novembro de 1154, o dia de São Martinho! No entanto, quando chegou a hora de Martinho ser rei, os pais acharam que o seu nome não era suficientemente imponente para um monarca. Assim, quando subiu ao trono em 1185, Martinho tornou-se D. Sancho I, também conhecido como “O Povoador” pelos grandes esforços que fez para povoar e desenvolver o território português.


D. João, o rei comilão

Mais de 600 anos depois, subiu ao trono D. João VI (1767-1826), um monarca muitas vezes ridicularizado pela sua baixa estatura, aparência pouco atraente, e apetite voraz. Nos relatos históricos, é descrito como um amante da gastronomia portuguesa, deliciando-se com pratos como bacalhau, sardinhas, queijos e presuntos. Já no Brasil, para onde transferiu a corte durante as invasões francesas, adotou novos sabores e passou a apreciar feijão, farofa e carnes assadas… mas a sua verdadeira paixão eram as pernas de frango. Reza a lenda que o rei consumia até nove frangos por dia — três ao almoço, três ao lanche e três ao jantar. A sua predileção por frangos era tal que os comerciantes reclamavam que a casa real ficava com todos os galináceos dos mercados e feiras, prejudicando o fornecimento dos demais fregueses! 


Piolhos reais lançam a moda no Brasil

Quando D. João VI viajou para o Brasil com a sua esposa, D. Carlota Joaquina (1775-1830), e restantes membros da corte, as condições de higiene a bordo do navio deixavam muito a desejar. A travessia durou 54 dias, e as pragas eram constantes; a certa altura, uma infestação de piolhos tomou conta de toda a tripulação, obrigando a futura rainha, as suas filhas e damas da corte a raparem o cabelo. Como desembarcar com as cabeças rapadas seria impensável (um verdadeiro escândalo), improvisaram uma solução: cobriram as cabeças com panos, como se fossem turbantes.

Quando chegaram ao porto, recebidos em festa por uma multidão que acorreu ao cais, estes acessórios causaram um verdadeiro alvoroço! Vendo a família real portuguesa, símbolo de sofisticação elegância, com aqueles adereços, as damas da alta sociedade do Rio de Janeiro acharam que se tratava de uma moda europeia. Em poucos dias, as ruas cariocas encheram-se de senhoras ostentando turbantes, sem fazer ideia de que aquela nova "tendência" escondia um segredo bem piolhento…

A História de Portugal está repleta de curiosidades e episódios engraçados. Se gostaste destas histórias, vale a pena descobrir mais no livro Histórias Hilariantes da História de Portugal. Feliz dia de São Martinho!

 

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