No ano em que se assinalam 420 anos da publicação da obra-prima de Miguel de Cervantes, o Portal Oficial de Turismo de Espanha convida os leitores de D. Quixote de la Mancha a seguir os seus passos. Segundo a Real Academia Española, a jornada do Cavaleiro da Triste Figura e do fiel Sancho Pança terá durado cerca de cinco meses e doze dias, mas pode recriá-la em apenas sete, numa viagem de carro que atravessa 13 vilas e cidades do interior espanhol. Descubra este roteiro literário no dia em que se cumprem 409 anos da morte de Cervantes, e guarde-o para as suas próximas férias.
Dia 1: Alcalá de Henares
Faz apenas sentido começar o roteiro onde tudo começou, isto é, o local onde nasceu Miguel de Cervantes, no dia 29 de setembro de 1547. Alcalá de Henares fica a pouco mais de 30 km de Madrid e o seu centro histórico foi classificado como Património da Humanidade da UNESCO – fique com alguns pontos imperdíveis para a sua viagem “quixotesca”:
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Calle Mayor: é uma das ruas mais emblemáticas da cidade e a mais longa da Europa com arcadas contínuas de ambos os lados. Nela, encontra-se o Museu Casa Natal de Cervantes e, à entrada, uma escultura de D. Quixote e Sancho Pança.
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Praça de Cervantes: além do nome que homenageia o autor, abriga ainda uma estátua de Cervantes e é um dos pontos de interesse da Semana Cervantina, uma festa que todos os anos celebra o legado do autor. Aqui fica também o Corral de Comedias, um dos teatros mais antigos da Europa ainda em funcionamento.
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Museu Casa Natal de Cervantes: situado na Calle Mayor, é uma reconstrução da casa onde o autor terá nascido e vivido em criança. O seu acervo abriga uma coleção de edições importantes da sua obra, incluindo exemplares raros como uma edição portuguesa de 1605 e a primeira edição ilustrada em espanhol, de 1674.
Dia 2: Madrid
A capital e a maior cidade de Espanha está repleta de referências a Dom Quixote e ao seu criador, Miguel de Cervantes. Daria facilmente para passar uma semana inteira a explorá-las, mas se quiser focar-se apenas nos mais emblemáticas, estes são paragens obrigatórias:
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Igreja e Convento das Trinitárias Descalças: localizada no coração do Bairro das Letras, na rua Lope de Vega, é o local onde se acredita que estejam os restos mortais de Cervantes e da sua esposa.
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Taberna Casa Alberto: fundada em 1827, esta tradicional taberna madrilena está instalada no edifício onde, segundo se crê, Cervantes viveu enquanto escrevia Os Trabalhos de Persiles e Sigismunda, bem como a segunda parte de Dom Quixote.
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Sociedade Cervantina: funcionando atualmente como centro cultural, está situada no edifício onde funcionava a gráfica de Juan de la Cuesta, o impressor responsável pela primeira edição de Dom Quixote, publicada em 1605.
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Biblioteca Nacional: localizada no Paseo de Recoletos, o seu acervo inclui um valioso exemplar da primeira edição de Dom Quixote.
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Praça da Espanha: um dos pontos mais fotografados de Madrid, esta praça abriga um grande monumento em homenagem a Miguel de Cervantes e à sua obra.
Dia 3: Esquivias – Toledo
A cerca de 40 km de Madrid, encontramos Esquivias, na província de Toledo, terra natal de Catalina de Salazar y Palacios, esposa de Miguel de Cervantes. Foi aqui que o casal viveu por algum tempo, na atual Casa de Cervantes — hoje transformada em museu.
Seguindo viagem, em apenas meia hora de carro chegamos a Toledo, cidade Património da Humanidade da UNESCO, conhecida como a "Cidade das Três Culturas", e que também não pode deixar de visitar.
Dia 4: Consuegra (Toledo) – Alcázar de San Juan (Ciudad Real)
A 60 km de Toledo, chega-se a Consuegra, famosa pelos seus moinhos de vento, que inspiraram um dos episódios mais emblemáticos de Dom Quixote. Suba até o morro para apreciar a vista e conhecer os 12 moinhos bem preservados, com destaque para o Moinho Sancho, que conserva a maquinaria original do século XVI, e o Moinho Bolero que está aberto para visitação.
A cerca de 30 minutos de carro, fica Alcázar de San Juan, cidade que escolheu Cervantes como seu filho predileto e que reivindica ser o verdadeiro local do seu batismo. Não deixe de visitar estes pontos de interesse:
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Igreja de Santa María la Mayor: onde se encontra uma certidão de batismo de um Miguel de Cervantes, levando alguns estudiosos a defender que o escritor teria nascido em Alcázar e não em Alcalá de Henares.
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Molinos de Alcázar de San Juan: no Cerro de San Antón, encontrará mais quatro moinhos bem preservados, com excelentes vistas panorâmicas sobre a cidade.
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Museu Casa do Fidalgo: instalado numa casa senhorial típica do século XVI, este museu oferece uma recriação fiel da vida quotidiana de um fidalgo da época, permitindo compreender melhor o contexto social da obra de Cervantes.
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Centro de Interpretação Cervantino: um espaço dedicado à vida e obra do autor, com exposições interativas, documentos e edições históricas do Dom Quixote.
Dia 5: Campo de Criptana (Ciudad Real) – El Toboso (Toledo)
A menos de 10 quilómetros de Alcázar de San Juan, chegamos a Campo de Criptana, outra das famosas “terras de gigantes”, onde os moinhos de vento dominam a paisagem.
E a apenas 20 minutos de carro fica El Toboso, vila associada à personagem Dulcineia, o grande amor de Dom Quixote. Aí, não pode deixar de visitar:
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Museu Casa de Dulcineia: instalado num casarão típico manchego do século XVI, acredita-se que terá sido a casa de Ana Martínez Zarco de Morales, conhecida como “dulce Ana”, a inspiração de Cervantes para a personagem de Dulcineia.
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Plaza Mayor: localizada no coração da vila, é onde pode encontrar o monumento que El Toboso dedicou a Dulcineia e ao seu eterno apaixonado.
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Museu Cervantino: abriga uma impressionante coleção de edições de Dom Quixote em mais de 70 línguas, muitas delas assinadas por personalidades do mundo da política e da cultura.
Dia 6: Argamasilla de Alba (Ciudad Real) – Ossa de Montiel (Albacete) – Villanueva de los Infantes (Ciudad Real)
A cerca de 50 quilómetros de carro, chegamos a Argamasilla de Alba, onde não pode faltar uma visita à Casa de Medrano. Afinal, é lá que se encontra a famoso Caverna de Medrano, onde Cervantes ficou prisoneiro e onde se acredita que terá iniciado a escrita de Dom Quixote.
Daí, seguimos para Ossa de Montiel, onde dois locais ocupam um lugar especial no imaginário quixotesco:
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Caverna de Montesinos: onde D. Quixote desceu através do tempo numa das passagens mais misteriosas da obra (é necessário agendar a visita com antecedência).
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Ruínas do Castelo de Rochafrida: uma antiga fortaleza medieval em ruínas, igualmente mencionada em Dom Quixote.
A partir de Ossa de Montiel, vale a pena seguir cerca de 50 quilómetros até Villanueva de los Infantes para visitar a casa de Dom Diego de Miranda — personagem tradicionalmente associado ao Cavaleiro do Verde Gabão, cujas façanhas são frequentemente recordadas por Dom Quixote ao longo da obra.
Por fim, siga até Ciudad Real, onde pode pernoitar.
Dia 7: Ciudad Real – Almagro (Ciudad Real)
Neste último dia de viagem, aproveite a manhã para explorar Ciudad Real e visitar o Museu do Quixote, um espaço que combina arte e multimédia em homenagem à imortal personagem criada por Cervantes.
À tarde, conduza durante 30 minutos até Almagro, uma das vilas mais encantadoras da região, e termine o roteiro visitando alguns dos seus principais pontos turísticos:
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Plaza Mayor: considerada uma das praças mais bonitas de Espanha, é o coração da vila e um excelente ponto para relaxar e apreciar a atmosfera local.
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Corral de Comedias: um teatro do século XVII ainda em funcionamento – vale a pena assistir a uma visita teatralizada.
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Museu Nacional do Teatro: um museu imperdível para todos os amantes da arte dramática.
Se preferir prolongar a sua viagem pelo universo de Cervantes e D. Quixote, há ainda muito por descobrir. Em Valladolid, por exemplo, encontra-se o Museu Casa de Cervantes, e a região de La Mancha oferece inúmeros roteiros inspirados no autor e na sua obra. Ao longo do ano, existem também várias datas especiais que celebram Cervantes, como a Semana Cervantina em Alcalá de Henares, ou o Dia Mundial do Livro, também conhecido como Dia de Cervantes, comemorado por todo o país.
Além disso, pode sempre regressar às páginas de Dom Quixote de la Mancha e reviver a viagem do Engenhoso Fidalgo e do seu fiel escudeiro quantas vezes quiser – essa que em vez de começar com “era uma vez” começa com “num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me”…