Meg Mason, jornalista em vários jornais e revistas reconhecidas internacionalmente, como The Financial Times e The Times London, Vogue, ELLE, GQ, entre outras, publicou o seu primeiro livro, You be Mother, em 2017. Em 2020, chegou o segundo livro, Alegrias e Tristezas de Martha Friel, acerca do qual partilhamos consigo algumas declarações da autora.
Nesta obra, a doença mental da protagonista é abordada de uma forma delicada, não assumindo uma forma particular: ao longo do livro, nunca é dado um nome específico à sua condição, sendo sempre referida com recurso a um espaço em branco “____”.
Quando questionada pela Flaunt sobre o motivo de não ter definido a doença, a autora explicou:
“Porque se, por exemplo, dissesse na primeira linha, 'A Martha tem esquizofrenia’ ou 'A Martha tem uma doença bipolar', essa é a única coisa que ela conseguiria ser para o leitor - uma pessoa mentalmente doente sem outras características significativas. A nossa visão, através da lente da doença, levaria a que as suas ações, crenças e relações fosse influenciada. Além disso, a história central é a busca da Martha por um diagnóstico e eu queria que ela tivesse voz e fosse capaz de contar a sua própria história.
Estas eram as minhas preocupações como autora e como ser humano, não podia suportar a ideia de retratar uma condição genuína de forma imprecisa, e causar dor aos leitores para quem esta é uma luta real e presente. E, claro, uma doença mental não se manifesta de forma idêntica em todos os doentes, pelo que não havia possibilidade de a capturar de uma forma ‘universal’.”
O que quer que Martha tenha, acompanha-a desde os 17 anos, tendo sido o motivo por ter desistido da faculdade, devido ao seu desejo de ficar em casa o dia todo. O livro descreve a sua viagem para obter o tratamento adequado. Embora a história não aborde uma temática particularmente animadora, a protagonista lida com tudo isto com uma perspicácia aguçada, geralmente refletindo sobre si própria, como se estivesse fora do seu corpo.