Vencedor do Prémio Camões em 2001, Eugénio de Andrade foi um dos mais importantes nomes da poesia portuguesa. De nome verdadeiro, José Fontinhas, nasceu no Fundão em 1923, tendo morrido no Porto 82 anos depois.
Integrado no livro Até Amanhã, publicado pela primeira vez em 1951, o poema Urgentemente, torna-se hoje mais urgente do que nunca. Recordemos pois, para nunca mais esquecer, como "é urgente o amor" e "destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade".
Urgentemente, de Eugénio de Andrade
É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.