"Dia de São Tomé", de Matilde Campilho

Por: Bertrand Livreiros a 2017-09-27

Matilde Campilho

Matilde Campilho

Matilde Campilho nasceu em Lisboa, em 1982. O seu primeiro livro, Jóquei, saiu em 2014, pela Tinta-da-china, e foi entretanto editado no Brasil e em Espanha. Publicou textos em diversas revistas nacionais e internacionais: Granta, New Observations, Berlin Quarterly, Bat City Review, Prima, The Common, St. Petersburg Review, Luvina, GQ. Tem um programa de rádio na Antena 3. Vive e trabalha em Lisboa.

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Jóquei, o primeiro livro de poemas de Matilde Campilho, é um álbum de Verão. Um Verão de todas as estações, transatlântico, luso-brasileiro na topografia Rio-Lisboa, com um português em dupla nacionalidade e dupla grafia, coloquial e feliz, saudoso e complicado. Descubra um dos seus muitos poemas, Dia de São Tomé.


Dia de São Tomé, de Matilde Campilho

Poderia escrever teu nome

70 vezes seguidas

Mas isso não espantaria

a saudade que sinto

de dizer teu nome

entre sal e dentes

Isso em nada iria melhorar

a falta que faz teu corpo

dentro da sombra invisível

que diariamente se senta

a meu lado no restaurante

às 11 horas da manhã

Ou no lugar direito do automóvel

quando dirijo até a repartição

pública das finanças do estado

O tal Estado escavacado

e tão sobrevalorizado

Escrever teu nome

repetidamente

primeiro em linhas verticais

depois horizontais

e mais tarde transversais

Como quem espera

algum dia ser o vencedor

do Four in a Row

de forma alguma substitui

o ruído aquático que sucedia

no interior de minha boca

quando a palavra Tu

reverberava entre palato

e água do mar

Batia em meus dentes

e ia parar no furo de alguma rocha

Sim o teu nome

entre um mergulho e outro

O teu nome engasgado

de pirolitos e gargalhadas

O teu nome

batendo em tua cara

exatamente ao mesmo tempo

que o feixe de sol

das 5:28 da tarde

O teu nome

roubado uma vez e outra

por nosso fiel pelicano

O nome do ministro

demissionário

é tão fácil de dizer

Desculpem se não digo

As linhas que cosem

partidos políticos

são tão fáceis de enfiar

no joguinho das crianças

E que simples é o resultado

Muito mais simples

que o resultado

de nosso velho marcador

Com partido político

dá sempre zero a zero

a vantagem do serviço

Com partido alto

dá sempre dez a dez

e vantagem do amor

Você levou meu samba

e meu mensageiro

Você deixou os sapatos

a sombra desalojada

e um dialeto muito novo

que devo utilizar agora

para não dizer teu nome

entre rajadas de revolução

e goles de cerveja junina

Um dialeto umas vezes digno

e outras vezes não

que entrego agora

ao bico do pelicano eterno:

Vai pássaro, leva meu grão

até as escadinhas do santo

que hoje celebra seu nome

entre os doze favoritos.

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