Há diversos estudos científicos que demonstram que ler melhora a nossa saúde. Neste consultório, recheado de estantes, partilhamos consigo as nossas bulas literárias. Dentro dos livros, há remédios para todos os males. Encontre o mais adequado para si, atente aos efeitos secundários e siga a posologia recomendada.
Quem sabe se a (sua) cura não passa por aqui ?
O novo romance de João Tordo conta-nos a história de um homem à deriva, enredado nos seus fantasmas e obrigado a enfrentar a mais terrível das acusações.
Aos sessenta anos, o romancista Jaime Toledo enfrenta vários problemas. Não escreve há uma década, foi diagnosticado com cancro e, de repente, dá por si no epicentro de um escândalo. Escritor de renome em Portugal, a polémica lança-o para o abismo - sem carreira, sem dinheiro e sem casa, com os livros a ganhar pó nos armazéns, depois de banidos pela sua editora, toma uma decisão radical: deixar tudo para trás e mudar-se para um barco decrépito, fundeado nas docas de Lisboa. É no Narcisse - um minúsculo barco mágico -, na companhia de uma velha guitarra e de um cão chamado Sozinho, que Jaime procurará devolver o sentido à sua vida, reconciliando-se com o passado: as relações conturbadas com as mulheres, o abandono da escrita, a culpa que o corrói.
Até que, um dia, a aparição de uma figura do passado mudará tudo, desviando a narrativa para um lugar inesperado. Estará nas mãos de Jaime decidir se este naufrágio é o fim ou um caminho para algo novo.
Naufrágio é um corajoso romance sobre o amor e as relações entre os sexos, uma reflexão sobre a memória e a culpa, e as linhas difusas que definem as fronteiras pessoais, sociais e morais. Através de Jaime Toledo, João Tordo traça o perfil de um homem em busca da redenção possível, num mundo mais rápido a julgar do que a refletir, e onde é mais fácil condenar do que estender a mão.
Indicado para: lidar com abuso de poder, assédio, manipulação, machismo, arrogância, egoísmo, narcisismo, soberba, negligência, e desresponsabilização; alívio de mágoa, raiva, vergonha, trauma, desamparo e insatisfação; reflectir sobre julgamentos públicos sumários e a cultura de cancelamento; gerir quadros de bloqueio criativo.
Efeitos secundários: introspecção, resgate de memórias e balanço de vida; possíveis arrependimentos, desejos de expiação e redenção; respeito pela vulnerabilidade e a vida emocional dos outros; revalorização da privacidade e do cuidado com a saúde mental; acréscimo de paciência, resiliência, esperança e empatia; catarse, humildade e maturidade.
Posologia: ler lentamente, ao fim do dia, o quanto quiser.