Desconfiava-se infeliz. Reflectia sobre as circunstâncias da vida enquanto percorria o Beco da Boa Esperança. Abstraída, foi bruscamente interrompida por uma senhora de roupão que se aproximou da varanda para sacudir a passadeira da cozinha. Viu-se coberta de pelos de gato e migalhas de papo-seco do pequeno-almoço. Continuou. Poucos passos adiante, uma gaivota abriu a cloaca e esvaziou a tripa. Um misto de fezes com urina cobriu o seu sobretudo. Prosseguiu. Desconcertada, retomou o pensamento e rematou baixinho: a vida é de uma clemência prodigiosa.