O Medronho Ponto por Ponto.
O mirabolante percurso de um Ponto até se transformar em Medronho e prever um etilizado futuro nasceu de uma estreita colaboração entre Manuela Barros Ferreira, que o escreveu em português, e Nádia Torres, que fez as ilustrações.
Publicado o texto na internet, despertou o interesse de Karim Taylhardat Garcés e de Amadeu Ferreira, que desde logo se propuseram traduzi-lo nas suas respectivas línguas maternas - o espanhol e o mirandês. Salvo erro desconhecido, é a primeira vez que um texto literário permite a comparação das três línguas, quase frase a frase, com o mirandês enquadrado pelo português e o espanhol, por ser essa a sua situação geográfica e sociolinguística.
Amadeu Ferreira, grande mirandês, sábio e poeta, ainda viu a maquete, gostou dela e mais teria gostado se tivesse visto o "Medronho" impresso. Quem traduziu Os Lusíadas para mirandês também apreciava coisas insignificantes como esta. Obrigada, Amadeu, por continuar aqui, connosco, tão presente em todos os seus escritos.
Karim Taylhardat Garcés é música, poetisa e antropóloga, venezuelana residente na Espanha, com vasta obra publicada e premiada, que descobriu o português e o mirandês "numa das facetas que mais lhe interessam, a do trabalho colectivo em torno da literatura e das paisagens sonoras idiomáticas". Foi também ela quem imaginou a capa deste livro. Veio depois a ajuda de Ana Horta, que propôs a contracapa e se encarregou do grafismo. Outras pessoas ainda contribuíram para que ele se fizesse, por exemplo José Pedro Ferreira, numa colaboração discreta e dedicada.
Todos, incluindo as duas editoras, Afrontamento e Frauga, quiseram fazer deste livro mais do que um ponto de chegada: uma pequena ponte entre três línguas e entre a gente que as fala.