A inserção profissional dos diplomados do ensino superior é hoje um tema de debate quer a nível nacional quer internacional e nunca o ensino superior esteve tão intensamente sob o escrutínio das famílias, dos media, das empresas e do poder político. As famílias e os estudantes inquietam-se quanto a um futuro que se avizinha menos risonho do que o passado; os media lançam o alarme sobre o desemprego dos licenciados e acusam as Universidades de estarem a formar para o desemprego; as empresas clamam contra a desadequação da formação às suas necessidades; o poder político elege a taxa de "empregabilidade" como um dos critérios de avaliação da qualidade do ensino superior e o discurso recorrente sobre o excesso de diplomados recomeça, ainda que tenuemente, a fazer-se ouvir.
O presente livro tem como objectivo analisar os processos de inserção profissional dos diplomados da Universidade de Lisboa que concluiram a licenciatura entre 1994-1998 e 1999-2003. A inserção profissional é concebida quer como uma sucessão de posições que os licenciados vão ocupando no mercado de trabalho quer como um processo de socialização profissional e construção identitária. Os resultados obtidos mostram que os licenciados da UL foram protagonistas de cinco percursos-tipo - inserção rápida num emprego estável; inserção diferida num emprego estável; estabilidade na precaridade; inserção precária; percurso de exclusão. A estes percursos correspondem quatro formas identitárias: identidade de projecto; identidade de carreira; identidade de emprego e identidade de empresário de si.