Lisboa, capital do Império e agora cidade cosmopolita, tem enfrentado
uma profunda transformação nos seus hábitos alimentares.
Herdeira de culturas ancestrais e pré-clássicas deixou-se assimilar
à tradição romana e árabe, norteando-se pela chamada dieta mediterrânica,
hoje património mundial.
Envolta pelo mar e pelo rio Lisboa aproveita o fresco do pescado e
do marisco, cuja confecção foi aprimorando em restaurantes que
nos servem ainda hoje, a memória dos antigos sabores tão tradicionais
como a sardinha e as caldeiradas do rio.
Pelo lado da terra, da zona saloia, vêm os frescos sazonais das hortas
que acomodam menus muito variados. Com a construção das
praças ou mercados, estes produtores chegam à capital, expõem as
suas produções vegetais e animais (a criação viva perdura até ao
século XX) e estabelecem uma rede de serviços de abastecimento
prolongada por vendedores ambulantes tradicionais - varinas, leiteiros,
padeiros - cujos pregões embalaram a vida dos bairros e o
despertar das suas gentes.