Os textos reunidos nesta colectânea pretendem ser uma chamada de atenção para alguns aspectos da construção medieval do território. Com efeito, os séculos medievais surgem como tempos fulcrais para a ocupação e ordenamento do território português uma vez que nessa cronologia teve lugar não apenas a estabilização espacial que permitiu a obtenção dos limites que, grosso modo, continuam ainda a ser os seus, como também ocorreu um complexo processo de consolidação do espaço ocupado e da tentativa de melhor inserção das áreas periféricas. Tendencialmente protagonizado e dirigido por uma realeza interessada em obter espaços politicamente equipados e susceptíveis de apoiarem a afirmação da sua autoridade, o seu desenvolvimento foi responsável pelo emergir de variadas tensões, algumas das quais ainda hoje são detectáveis, como a gerada pela distinção entre centro e periferia. Um processo que decorreu num tempo longo, estendendo-se muito para além da Idade Média, mas que permitiu a emergência de Portugal como um território unificado sob o ponto de vista político-administrativo, aspecto que não deixou de contribuir para a construção da identidade nacional.