Prémio de Novelística Almeida Garrett de 1968.
Os Três Seios de Novélia é um pequeno romance de amor irreal onde a
rumorejante solidão de um jovem escritor o força a procurar a mulher
alquímica, sua secreta nostalgia. É também uma descoberta de Lisboa, com
os seus cafés, praças, ruas, avenidas, onde a promessa de qualquer mulher
compensará o reles quotidiano. Esta invenção de uma mulher clara que
existia efectivamente nas ruas de Lisboa de 1968, e continua a existir, é
também o triunfo da literatura. Um Longo Nascimento, o segundo texto do
livro, é um pequeno diário de uma infância e adolescência felizes na província
onde a alfaiataria dos pais, lagartos ao sol, primas, faces de meninas prémenstruadas,
cântaros defenestrados na última noite do ano, livros, escritores
mortos, se amontoam para glorificar uma vida ainda fugitiva de criador. A
Respiração é o atelier em brasa do artista. A sua imaginação mais desabrida,
delirante. Estamos aqui no interior do vulcão da imaginação.
E o final «Sermão de Santo António aos Astronautas» é a cereja em cima do
bolo ardente.
Manuel da Silva Ramos tinha 20 anos quando escreveu Os Três Seios de
Novélia.