Eu Que não Conheci os Homens

de Jacqueline Harpman 

Bertrand.pt - Eu Que não Conheci os Homens
Opinião dos leitores
(3)
Editor: Livros do Brasil
Edição: fevereiro de 2025
Formatos Disponíveis:
Portes
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Quarenta mulheres estão fechadas numa cave, sob a vigilância de guardas silenciosos e inexpressivos, que apenas as alimentam. A mais nova, a narradora, não se lembra do mundo exterior e as outras pouco o mencionam, apesar de, não se recordando do momento em que foram aprisionadas, terem vestígios de memórias dos maridos, dos filhos, das suas vidas anteriores. Misteriosamente, ouve-se um dia uma sirene, os guardas fogem e a porta da cela é deixada aberta. A medo, as mulheres começam a sair e, num mundo totalmente transformado, terão de reaprender a viver. Publicado originalmente por Jacqueline Harpman em 1995 e até agora inédito em Portugal, Eu Que não Conheci os Homens é um texto inquietante sobre companheirismo, liberdade e o que faz de nós humanos. Nas palavras do jornal americano The New York Times: «Um pequeno milagre.»

  • Livro Memorável!
    Carla Tomé | 28-11-2025

    Que livro bom este! Seguir a vida de uma menina/mulher, que nem nome tem, sem passado e sem referências. É uma personagem que nos obriga a pensar no que significa crescer sem memórias, sem cultura. Uma sensação constante de desconforto, de perguntas sem resposta. E é precisamente isso que torna o livro tão poderoso!!! A autora não nos dá a mão, não explica nada!!! Atira-nos para o mesmo abismo onde aquelas mulheres viveram e nós, temos de fazer o caminho sozinhas. É uma distopia existencial, sem regras políticas onde o mais assustador não são monstros, governos ou tecnologias, é o silêncio, a ausência de sentido, a fragilidade. E apesar da história ser dura, o livro tem uma beleza triste que te prende.

  • Surprendente!
    Adriana | 11-07-2025

    Não é, claramente, um livro para todos os gostos. É um daqueles livros que parece que pouco evolui, pois estamos a acompanhar apenas o ponto de vista da narradora e a descobrir os acontecimentos ao mesmo tempo que ela. Porém, é um livro impactante que nos faz refletir sobre o sentido da vida, a solidão e o que nos torna humanos. Uma leitura curta e profunda, com um final aberto.

  • Resistência, sororidade e sobrevivência
    Sandra Raquel Silva | 21-04-2025

    Escrito em 1995 pela autora belga Jacqueline Harpman, #euquenãoconhecioshomens parecia, ao que dizem, votado ao esquecimento, até ser recuperado no #BookTok e lançado para a ribalta por jovens leitores. Chegou até nós com a chancela da Porto Editora. Felizmente para mim, leitora de distopias, este título da #livrosdobrasil não me escapou, embora me tivesse passado ao lado, ao longo dos anos – fazendo eu, por norma, leituras francófonas. Nesta distopia – que muitos poderiam considerar a priori uma distopia feminista e que, nas primeiras páginas, poderíamos aproximar de A História de uma Serva, de #MargaretAtwood – o leitor depara-se com um cenário típico do género: um mundo que não é o nosso, um tempo que não é aquele que conhecemos, e algo de terrível a acontecer. Como é habitual, este locus alter serve de alerta para os perigos do nosso próprio tempo. Aqui, o perigo parece ser o do silenciamento. Quarenta mulheres estão aprisionadas numa cave, vigiadas por guardas que as controlam, não lhes permitem qualquer privacidade e apenas se limitam a alimentá-las. Não se sabe quem são, não há memórias do passado e, de certa forma, também é sonegada a identidade a estas mulheres, que perderam até o direito à intimidade, quando se veem obrigadas a excretar em público. De entre elas, uma jovem destaca-se por questionar a autoridade dos guardas. Dessa jovem, nada se sabe: nem quem é, nem quem foi. Do mundo, que ela não conheceu, sabe pouco ou nada – a não ser por interposta pessoa, já que, graças à sua curiosidade, vai ouvindo as mulheres e questionando algumas delas. Mais tarde, esta curiosidade mostrar-se-á útil e permitirá trabalhar na construção de uma sociedade que aprende, com dificuldades várias naquele lugar inóspito, a voltar a relacionar-se. Um dia, a rotina – já quebrada por esta forma silenciosa de resistência da jovem narradora – é abalada de forma inesperada: os guardas desaparecem e a cela abre-se. À medida que a leitura avança, percebemos que houve outras vítimas, que não apenas estas 40 mulheres. A distopia que nos é apresentada no incipit do romance não é, a meu ver, exclusivamente uma distopia feminista. Antes, questiona o aprisionamento do ser humano e a sua submissão a um mundo aparentemente sem regras, e onde todos repetem os mesmos gestos, no mesmo ritmo diário. Os guardas, por exemplo, liam todos o mesmo livro, vestiam todos da mesma forma... Porquê? Não chegaremos a perceber muito do que nos inquieta. Semelhantemente a esta narradora, também nós, leitores, saímos com ela da cela. Não obstante, a esperança de solução para os problemas destas mulheres depressa se esvai, pois depararmo-nos com um mundo desolado, onde o silêncio (e a nossa ignorância) permanece. Há pontas soltas e mistérios por explicar, perguntas que ecoam para além da última página. E talvez seja essa a força do livro – deixar-nos, como a protagonista (a «Pequena», como lhe chamavam), a pensar num mundo, bastas vezes, indecifrável. @olugardoslivrosdela

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ISBN:
978-989-711-274-4
Ano de edição:
02-2025
Editor:
Livros do Brasil
Idioma:
Português
Dimensões:
152 x 235 x 20 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
208
Tipo de Produto:
Livro
Coleção:
Dois Mundos
Classificação Temática:
EAN:
978989711274411

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