"A obra de Dina de Sousa, A Arte Doceira de Coimbra - Conventos e tradições - Receituários (Séculos XVII-XX), constitui um contributo para a análise do fenómeno
da patrimonialização alimentar, ao recuperar e transcrever receituários
antigos da doçaria de Coimbra, desde o Antigo Regime aos nossos
dias, e ao problematizar o seu papel na construção de uma eventual dinâmica
identitária".
São estas as palavras da Professora Irene Vaquinhas, no prefácio deste trabalho,
convidando o leitor por uma viagem sensorial às delícias doceiras
de Coimbra, algumas das quais se sagrarão como património da cidade
e/ou da região, resgatando sabores, práticas e saberes-fazer.
Tendo por base pesquisas arquivísticas e recolhas orais, o livro colige receitas
de variada proveniência e distinta tipologia documental, bem como
registos sobre custos de ingredientes utilizados na confecção de doces, retirados
de livros de receitas e despesas de conventos relativos aos séculos
XVIII e XIX.
Concatenando heranças gustativas, Dina de Sousa, dá continuidade a investigações
sobre esta temática, elaboradas aquando da sua dissertação de
mestrado em Políticas Culturais Autárquicas e publicada por esta editora,
traçando as linhas-mestras de patrimónios doceiros, transmitidos geralmente
pela via feminina, como é o caso, entre outras, do afamado manjar
branco, das conceituadas arrufadas ou do pão-de-ló de Coimbra, um tesouro
ainda por descobrir.
Com gosto de antigamente, este livro traz-nos receitas com história, que
atravessaram gerações, como doces lembranças. Como não evocar a este
propósito a célebre canção que Chico Buarque de Holanda compôs para
Nara Leão: "Com açúcar e com afecto, fiz seu doce predilecto..." Ontem,
como hoje...