Quintas tem vindo a construir uma obra assente na rarefacção da imagem, onde o
«escavar» é tão importante como o colocar ou o acrescentar camadas, na incerteza
do destino da interpretação e num regresso ao gesto primeiro da pintura.
Na pintura de Paulo Quintas […] não há figuração humana e a rarefacção da figura, em geral geométrica e abstracta, a
dissolução ou erosão das formas nas superfícies pictóricas parecem ser marcas da sua obra — o que me leva a dizer que a pintura
de Paulo Quintas é tocada pela índole da morte e da anulação. Tudo nela é da ordem da erosão, tudo tende a desaparecer
e como que a desfazer-se na superfície da tela, tudo nela remete para a dissolução espacial. [Sara Antónia Matos]
A designação da exposição impôs-se, assim, com uma clareza tão luminosa quanto cortante: «Todos os títulos estão
errados», ou poderíamos dizer o seu contrário, todos os títulos estão certos. A intenção é propositadamente instalar
uma espécie de desconforto com as afirmações, as nomeações, as
sínteses, as grandes definições e os sistemas fechados: «Gosto de
dizer uma coisa e o seu contrário. Os fragmentos estão cheios de
identidade» (PQ). [Isabel Carlos]
Gosto desta pintura, porque é verdadeira e corajosa. É directa,
vem de dentro, de uma urgência de a fazer para a poder ver feita. […]
Esta é a pintura de quem gostaria de se enterrar e deixar de ser (a vida
do artista é a cova que ele vai cavando com os pés até desaparecer por
completo na terra, enquanto vai revelando ao Mundo as «verdades
místicas»). É a Obra de alguém que sabe que o preço é altíssimo: de alguém
que paga as coisas (e a vida) com a própria alma. [Rui Chafes]