Neste que foi concebido como o seu último livro de ficção (quando fez 80 anos, anunciou que não escreveria mais neste género), Gerald Murnane mantém-se fiel aos temas que percorrem toda a sua obra: a paroquialidade, o catolicismo, o trabalho da memória, a paisagem australiana e as corridas de cavalos. Foi escrito depois da sua mudança de Melbourne para uma pequena cidade no canto ocidental das planícies de Wimmera, junto da fronteira com a Austrália do Sul, onde tenciona passar os últimos dias da sua vida.
O estilo tardio e descarnado de Murnane não tem enredo, nem personagens, só memórias e reflexões do narrador. E não pretende mostrar o mundo como ele é, mas como ele nos parece, neste caso, lhe parece, o mundo através da mediação da mente e da memória.
Em Territórios de Fronteira, um homem muda de uma grande metrópole para uma pequena cidade remota onde pretende passar os últimos anos de sua vida. É a hora, pensa ele, de revisitar uma vida de observações e de leituras. Que paisagens, pessoas, livros, personagens fictícios, expressões e versos sobreviverão ao crepúsculo? Uma mulher de cabelos escuros com uma expressão melancólica? Uma casa no meio do campo? Esse tesouro da memória é o início e o fim de uma grande busca pelo sentido perdido da vida.
Territórios de Fronteira foi galardoado com o Prime Minister’s Literary Award em 2018 (o prémio com a remuneração mais elevada da Austrália) e finalista do prémio literário de maior prestígio, o Miles Franklin Literary Award.